Museu de moda em casa de casa de Domitila causa crise

Grupo de críticos quer manter Museu do Primeiro Reinado no imóvel

CLARISSA THOMÉ / RIO, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2013 | 02h01

O fechamento do Museu do Primeiro Reinado para reformas e a proposta de reabri-lo como Museu da Moda tem provocado polêmica entre historiadores, museólogos e arquitetos. Pela internet, um grupo se mobiliza contra a ideia de dar outro destino ao Solar da Marquesa de Santos, palacete onde viveu a mais famosa amante de d. Pedro I e desde 1979 guarda acervo de quando ele governou o País.

As peças do museu foram retiradas para reforma. Diante da reação, o governo do Estado do Rio recuou e informou que ainda não há nada decidido sobre a criação do Museu da Moda. A Secretaria de Cultura não informou o destino dado ao acervo.

"O desmonte do Museu do Primeiro Reinado é completamente esdrúxulo", diz o arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti. "O Brasil foi o único país da América que teve Reinado e Império, o que nos diferencia historicamente", afirma.

O historiador José Murilo de Carvalho, membro da Academia Brasileira de Letras, classificou o episódio de "total insensibilidade do governo em relação ao patrimônio nacional". Tetraneto de d. Pedro I, o fotógrafo d. João de Orleans e Bragança se manifesta contra a ideia. "Um povo precisa ter memória. Me preocupa mais ainda não saber o que foi feito com o acervo."

Novo museu. Os críticos não são contrários ao Museu da Moda, mas sugerem que outro prédio o abrigue. Cavalcanti lembra que o Palacete Visconde do Rio Seco, na Praça Tiradentes, está em reformas. "Ali funcionou o Cassino Fluminense, clube da elite. A família real e toda a elite desfilavam sua moda para frequentar o clube."

A Secretaria de Cultura informou que o projeto do Museu da Moda é "embrionário" e, após a reforma, o palacete reabre como Museu do Primeiro Reinado. Em e-mail enviado a Cavalcanti, ao qual o Estado teve acesso, a superintendente de Museus, Mariana Varzea, dá outra explicação: "O Museu do Primeiro Reinado, infelizmente, nem honrava nem tinha nenhum acervo que justificasse o nome que recebeu - nunca teve mobiliário original, não tinha quase nada de figurinos, utensílios", escreveu.

Ela diz ainda que "o projeto (do Museu da Moda) respeita, mais que nenhum outro desenvolvido naquela casa, a história de amor de d. Pedro e dona Domitila". O projeto deve ser concluído em 2016.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.