Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE

Museu de carros é lacrado em Brasília

Instituição ocupa prédio do Ministério dos Transportes, que será transformado em arquivo morto; na web, fãs fazem abaixo-assinado

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2012 | 03h44

"Fechar um museu é andar na contramão da história." Este foi o comentário de um dos mais de 7 mil signatários - até ontem - da moção pública de apoio ao Museu Nacional do Automóvel, em Brasília. A instituição, que ocupa um imóvel do Ministério dos Transportes, foi lacrada na manhã de quinta-feira passada, dia 20. O fato provocou comoção entre os fãs de carros e deve ter novos capítulos nos próximos dias.

A lacração foi feita pela Secretaria do Patrimônio da União, cumprindo uma decisão judicial para que o galpão fosse devolvido ao ministério - que alega que o imóvel é utilizado pelo museu de forma irregular desde o ano 2000. Em 2010, uma ação de posse do imóvel foi ajuizada, estabelecendo prazo de 180 dias para a desocupação da área - decisão, entretanto, não cumprida até o momento. "O imóvel foi lacrado para viabilizar o cumprimento de uma decisão judicial", explica o ministério, em nota.

Em 1994, o Museu do Automóvel e a União assinaram convênio para que a instituição funcionasse em imóvel do Ministério dos Transportes. Idealizada pelo advogado Roberto Nasser, colecionador de carros e dono de boa parte dos 50 modelos do acervo, a instituição, uma fundação privada, começou a funcionar em 1996, nos fins de semana. De 2004, quando passou a abrir diariamente, até este ano, foram registradas 120 mil visitas. "Nosso foco é contar a história da indústria automobilística do Brasil", conta Nasser.

De acordo com o Ministério dos Transportes, entretanto, o convênio foi rescindido em 2000. "Desde então, o museu ocupa o espaço de forma irregular, sem o pagamento das despesas referentes ao imóvel, como luz, água, segurança", informou o ministério, em nota.

"Venho cuidando do imóvel como se fosse a minha própria casa. Em 2006, até restaurei, ampliei", rebate o criador do museu. "Não me importo em devolver o imóvel, mas preciso que me apresentem uma solução. Não tenho como guardar esses carros no quintal da minha casa."

Segundo o ministério, a área será usada como espaço de atendimento do Passe Livre - política pública que dá gratuidade de transporte interestadual de ônibus a pessoas carentes - e como depósito do acervo documental.

Além dos 50 carros, o museu tem uma biblioteca de 8 mil volumes e 10 mil itens documentais. O órgão cobrava taxa de entrada de R$ 10, com isenção para estudantes de escolas públicas e instituições sociais.

Destino. Nasser não sabe o que vai fazer se não conseguir reverter a situação. "Se o País não quer a graciosidade de alguém que apresenta um equipamento cultural na capital federal, talvez o jeito seja vender o acervo no exterior e tocar a minha vida", diz Nasser. "E aí é esquecer o sonho."

Ele garante, entretanto, que não vai jogar a toalha tão facilmente. "Pretendo lutar pelo museu até que todos os recursos sejam esgotados", promete.

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