Museu de Arte Sacra terá reforma de R$ 700 mil

Obras no prédio, que também abriga o Mosteiro da Luz, começam na segunda-feira; edifícios vão permanecer abertos à visitação

MÁRCIO PINHO, O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2011 | 03h03

O edifício do século 18 que abriga o Mosteiro da Luz e o Museu de Arte Sacra, na Luz, região central de São Paulo, será restaurado a partir da próxima segunda-feira. O complexo localizado na Avenida Tiradentes, construído por Frei Galvão - onde o próprio está enterrado -, é tombado e uma das poucas construções remanescentes do século 18 na cidade de São Paulo.

De acordo com a Secretaria de Estado da Cultura, serão investidos R$ 733 mil para reformar o telhado, que hoje tem problemas como goteiras, além das fachadas, que sofrem desgaste e estão bastante descascadas. A última reforma no local foi há cerca de 15 anos. A previsão é de que as obras durem pelo menos três meses. O museu e a igreja do mosteiro permanecerão abertos durante a execução da reforma.

O prédio foi construído em 1774 com a técnica de taipa, bastante comum na época - ainda há paredes internas que mostram como a terra foi usada para erguê-las, juntamente com madeira (pau-a-pique). Na região não havia pedra nem cal. O estilo arquitetônico segue um padrão comum em mosteiros e outras casas da época, com portas e janelas amplas.

Segundo o secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo, a reforma é importante não só pela manutenção do patrimônio, mas pelo interesse despertado pelo Museu de Arte Sacra.

"É um equipamento bastante visitado. Tem um acervo lindíssimo. É considerado um dos melhores acervos de arte sacra do Brasil", afirma Matarazzo.

Acervo. Hoje, 38 mil pessoas passam por ano pelo museu. O acervo tem 4 mil peças, provenientes das principais igrejas e capelas do Brasil. Lá estão obras dos beneditinos Frei Agostinho da Piedade (1580-1661), escultor e ceramista português, e seu discípulo brasileiro, Frei Agostinho de Jesus (1600 ou 1610-1661). Há ainda um presépio com 1.620 peças, chamado Presépio Napolitano, considerado um dos maiores do mundo.

A diretora do museu, Mari Marino, afirma que a reforma ajuda na manutenção do acervo. Segundo ela, alterações constantes em fatores como umidade e temperatura podem prejudicar a manutenção do prédio e das obras. O interior do museu passou por uma manutenção recente, feita pela própria Organização Social (OS) responsável por administrar o local.

A ideia da Secretaria da Cultura é fazer, no futuro, uma reforma no claustro onde vivem as monjas. No atual pacote está incluída ainda uma obra estrutural.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.