Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE

Museu de Arte Sacra, no centro de São Paulo, terá reforma de R$ 700 mil

Obras no prédio começam na segunda-feira; edifícios vão permanecer abertos à visitação

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2011 | 23h27

SÃO PAULO - O edifício do século 18 que abriga o Mosteiro da Luz e o Museu de Arte Sacra, na Luz, região central de São Paulo, será restaurado a partir da próxima segunda-feira. O complexo localizado na Avenida Tiradentes, construído por Frei Galvão e conhecido local de peregrinação, é tombado e uma das poucas construções remanescentes do século 18 na cidade de São Paulo.

Segundo a Secretaria de Estado da Cultura, serão investidos R$ 733 mil para reformar o telhado, que hoje tem problemas como goteiras, além das fachadas, que sofrem desgaste e estão bastante descascadas. A última reforma no local foi há cerca de 15 anos. A previsão é de que as obras durem pelo menos três meses. O museu e a igreja do mosteiro permanecerão abertos durante a execução da reforma.

O prédio foi construído em 1774 com a técnica de taipa, bastante comum na época - ainda há paredes internas que mostram como a terra foi usada para erguer paredes, juntamente com madeira (pau a pique). Na região não havia pedra nem cal. O estilo arquitetônico segue um padrão comum em mosteiros e outras casas da época, com portas e janelas amplas.

Segundo o secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo, a reforma é importante não só pela manutenção do patrimônio, mas pelo interesse despertado pelo Museu de Arte Sacra. "É um equipamento bastante visitado. Tem um acervo lindíssimo. É considerado um dos melhores acervos de arte sacra do Brasil", afirma Matarazzo.

Acervo. Hoje, 38 mil pessoas passam por ano pelo museu. O acervo tem 4 mil peças, provenientes das principais igrejas e capelas do Brasil. Lá estão obras dos beneditinos Frei Agostinho da Piedade (1580-1661), escultor e ceramista português, e seu discípulo brasileiro, Frei Agostinho de Jesus (1600 ou 1610-1661). Há ainda um presépio com 1.620 peças, chamado Presépio Napolitano, considerado um dos maiores do mundo.

A diretora do museu, Mari Marino, afirma que a reforma ajuda na manutenção do acervo. Segundo ela, alterações constantes em fatores como umidade e temperatura podem prejudicar a manutenção do prédio e das obras. O interior do museu passou por uma manutenção recente, feita pela própria Organização Social (OS) responsável por administrar o local.

A ideia da Secretaria da Cultura é fazer, no futuro, também uma reforma no claustro onde vivem as freiras. No atual pacote de obras está incluída ainda uma obra estrutural.

FICHA TÉCNICA

Mosteiro fica em um terreno onde antes havia sítio e capela

Construção: É de 1774. Em 1908, foi erguida uma nova ala

Terreno: A área total do mosteiro é de 6.500 m²

Museu: Aproximadamente, 2 mil m2 são ocupados pelo Museu de Arte Sacra

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