Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Museu da República conclui restauração

Última etapa da reforma foi a recuperação, um a um, de 5 mil azulejos da parte interna

EDISON VEIGA , ENVIADO ESPECIAL / ITU, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2012 | 02h03

Hoje, feriado em que se comemora a Proclamação da República, o Museu Republicano Convenção de Itu, no interior de São Paulo, conclui os trabalhos de restauração iniciados em 2007. Isso ocorre com a última e mais detalhista etapa: a recuperação, um a um, dos 5 mil azulejos pintados entre 1940 e 1952 pelo ceramista Luiz Gagni.

Os azulejos formam 73 painéis com representações históricas de Itu, desde a fundação, em 1610, até a famosa reunião do Partido Republicano, em 1873, que entrou para os livros de história como Convenção de Itu. Ontem, o Estado acompanhou os últimos retoques, coordenados pelo restaurador e conservador Antonio Sarasá. Pelo seu levantamento, mais de metade das peças apresentava algum problema - sujeira, fungos, trincas - e 80% estavam se descolando. "Havia azulejos presos por fita adesiva", conta o restaurador.

O processo de restauro dos azulejos foi detalhista. "Retiramos todos, um a um, numerando-os. Então eles foram levados ao nosso ateliê, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, e recuperados", explica Sarasá. Assim as peças foram limpas, as rachaduras, corrigidas e em alguns casos - menos de 1% do total - precisaram ser inteiramente refeitas.

O restauro foi um prato cheio para pesquisadores. Arquitetos, arqueólogos e historiadores aproveitaram para analisar o antigo casarão e entender como eram as construções daquele tempo.

Azulejos. Luiz Gagni fez os azulejos por encomenda do historiador Affonso d'Escragnolle Taunay, idealizador do museu, inaugurado em 1923.

Os azulejos da parte externa do casarão, portugueses e com função decorativa, já existiam desde o século 19. "Ele se inspirou no exterior ao pensar no interior", acredita a historiadora Anicleide Zequini, especialista em pesquisa no museu. No interior, a partir de relatos históricos, documentos e aquarelas, os azulejos foram feitos com função figurativa: retratando episódios históricos.

"Ele usou uma linguagem própria para contar a história. Os painéis são um livro aberto", comenta Sarasá.

História. O sobrado do século 19 é importante não só para os ituanos, mas para a história do Brasil. Foi ali, no casarão do centro da cidade interiorana, que aconteceu, em 18 de abril de 1873, a primeira convenção republicana, durante a qual 133 entusiastas do novo regime definiram os pilares do movimento que, anos mais tarde, em 1889, transformaria o Brasil em uma república.

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