Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Museu da Língua Portuguesa deve reabrir ao público somente em 2019

Reconstrução do espaço na Estação da Luz custará R$ 65 milhões, dos quais R$ 36 milhões virão da iniciativa privada, e será baseada no projeto original

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2016 | 12h50
Atualizado 12 Dezembro 2016 | 20h41

SÃO PAULO - Atingido por um incêndio de grandes proporções em dezembro do ano passado, o Museu da Língua Portuguesa só deve reabrir ao público em 2019. A informação, antecipada pelo Estado em outubro, foi confirmada nesta segunda-feira, 12, pelo governo paulista. As obras de restauro das fachadas e esquadrias do histórico prédio da Estação da Luz devem ser iniciadas ainda neste mês. 

O valor de investimento da iniciativa privada será de R$ 36 milhões, somados aos R$ 34 milhões de indenização do seguro contra incêndio. Ao menos R$ 3 milhões já foram investidos em ações emergenciais e outros R$ 2 milhões serão destinados ao primeiro ano de manutenção do museu. Participam da “aliança solidária” em prol do museu a empresa portuguesa EDP e os brasileiros Itaú e Grupo Globo - a Fundação Roberto Marinho foi responsável pela concepção original do espaço.

O projeto de restauração das fachadas já foi aprovado pelos três órgãos de proteção ao patrimônio histórico (o federal Iphan, o estadual Condephaat e o municipal Conpresp - o edifício é tombado nas três esferas) e as intervenções devem durar 12 meses. Nesta fase será restabelecida a ambiência arquitetônica, com o restauro das quatro fachadas do prédio e a recuperação e reconstrução das esquadrias de madeira que foram incendiadas. 

O governo do Estado informou que o arquiteto Pedro Mendes da Rocha - que participou do projeto original do museu, juntamente com seu pai, Paulo Mendes da Rocha - será o responsável pelas adaptações necessárias no projeto de arquitetura. A reconstrução deve ter como base o projeto original, mas serão contempladas adaptações “relativas a adequação às mudanças na legislação e à experiência de uso do prédio durante seus dez anos como museu”. 

“Tivemos um triste incêndio mas hoje recomeça o restauro. Já foram feitas todas as obras de emergência, aprovação em todos os órgãos, o alvará já dado e a obra iniciada. O prazo é de até 24 meses para termos todo o prédio restaurado e mais alguns meses para a parte interna. O museu voltará modernizado, estruturas com tecnologia de ponta, preservando o aspecto arquitetônico, mas com enorme segurança contra incêndio, sustentável”, disse o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Incêndio. O prédio do museu foi tomado por chamas no dia 21 de dezembro de 2015. As ações emergenciais tiveram início 48 horas após o episódio para preservar o conjunto arquitetônico, segundo o governo do Estado. Tudo começou em um corredor, na parte da tarde, após uma troca de iluminação em que houve curto-circuito. 

O bombeiro Ronaldo Pereira da Cruz, que atuou no episódio, morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Ocupando 4,3 mil m² em três andares da Estação da Luz, o museu foi inaugurado em 2006 e, em seus últimos três anos de operação, recebeu 1,6 milhão de visitantes. Quase um ano após o incêndio, o museu demitiu, em outubro, seu diretor técnico, Antonio Carlos de Moraes Sartini, e estrutura o ano de 2017 sem funcionários relacionados ao trabalho museológico da instituição e sem nenhuma atividade cultural e educativa. 

Ao contrário do que ocorreu neste ano, quando a decisão do Museu da Língua foi manter exposições e eventos externos enquanto sua sede, no histórico prédio da Estação da Luz, precisa ser recuperada dos danos do incêndio, todo o planejamento de 2017 está sendo feito com foco nas obras de reconstrução da estrutura.

Dos cerca de 60 funcionários que atuavam no Museu da Língua Portuguesa até o incêndio, apenas 12 seguem trabalhando atualmente, até o término dos projetos externos em andamento - previstos para fevereiro. 

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