Município teve de pagar 7 dos 12 sepultamentos

Além de receber apoio psicológico das assistentes sociais da Prefeitura, as famílias que perderam crianças estão recebendo ajuda financeira: muitas são tão pobres que não puderam sequer custear os enterros. Às 12 famílias foi oferecido sepultamento por conta do município: 7 aceitaram a oferta e 5 dispensaram.

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2011 | 00h00

Entre as mais carentes está a de Igor Moraes da Silva, de 13 anos, cuja mãe, Inês, é catadora de papel. Ela ficou inconsolável depois de reconhecer o corpo do filho no Instituto Médico Legal, e não deu entrevista.

Chorando muito, o militar reformado Raimundo Nazaré Freitas da Silva, pai de Ana Carolina Pacheco da Silva, de 13 anos, deixou o IML, onde acabara de liberar o corpo da filha para a cremação (que será hoje às 8 horas), pedindo mais segurança nas escolas. "Precisa ter detector de metal na porta, como nas repartições públicas. Perdi minha princesinha, ela gostava muito de ir para escola. Eu dava duro nela, pra que fosse alguém na vida quando crescesse. Agora fica difícil. Como vai ser no aniversário dela? E no Natal? Cada palavra de alento é como se fosse uma punhalada. Não quero que pai nenhum passe pela dor que estou sentindo."

Futuro. Silva, que tem outros quatro filhos, chamou a atenção para a necessidade de se estar atento a sinais de transtornos nos jovens, para evitar que crianças problemáticas se transformem em novos assassinos. "Esse rapaz perdeu o pai e a mãe, que era esquizofrênica. Se você identifica, podemos evitar isso aí. Perdi minha filha, que era linda, linda", reiterou.

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