Municipal tem novo projeto dos Campana

Designers elaboraram ampliação do atual restaurante do Teatro em varanda anexa

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2011 | 00h00

Existem lugares em São Paulo onde se pode ter um almoço agradável, em uma mesa de onde é possível apreciar uma vista bonita. E existe o recém-inaugurado restaurante do Teatro Municipal, que é a atração em si: você coloca seu prato de salada em cima de uma mesa de espelho desenhada pelos irmãos Campana, que reflete afrescos centenários e colunas art nouveau.

Aberto há pouco mais de um mês para servir apenas um cafezinho a quem saía dos espetáculos, o lugar atraiu os executivos do centro, que começaram a formar fila de espera para sentar nas disputadas cadeiras dos Campana. O sucesso foi tanto que os mesmos designers fizeram um novo projeto para uma varanda anexa ao restaurante, que vai duplicar a atual capacidade de 34 lugares. Por enquanto, a varanda serve como "puxadinho", com algumas cadeiras e mesas do mobiliário do Municipal para atender os clientes de forma temporária. "Mas é claro que vai ficar bem melhor quando houver um projeto padronizado", diz a arquiteta Lilian Jaha.

O restaurante foi o primeiro projeto dos Campana na cidade em 30 anos. "O terraço é maravilhoso, tem um calçadão na frente. Dá vontade de fazer uma continuação do restaurante até a praça ali na frente", diz Fernando Campana. "Está sendo muito bom trabalhar com uma dimensão maior do que a de uma cadeira", diz Humberto, citando o objeto que deu aos irmãos fama mundial.

Fernando desenhou com exclusividade para o Estado como imagina o novo espaço. "Não quero fazer nada que pareça de época. O ambiente tem de ser um pouco mais moderno exatamente para que se diferencie o que é original e o que não é."

No lugar do vidro e dos espelhos usados dentro do restaurante, as mesas da varanda devem ser de mármore, mais resistentes à chuva e ao sol. O veludo dos estofados das cadeiras deve dar lugar ao couro. "A ideia é dialogar com vários tipos de materiais e formas", diz Humberto.

Toda interferência no Municipal é submetida a três órgãos de conservação: Conpresp (municipal), Condephaat (estadual) e Iphan (federal). Os Campana sabem da responsabilidade de mexer com tetos e paredes que completam 100 anos no próximo mês. "Não dá para fazer tantas intervenções. Não vou decorar o Ramos de Azevedo, né?", brinca Fernando. "A gente tem de ser muito sutil quando vai interferir em um bem público. Nós somos secundários, o teatro é o protagonista", completa Humberto. O projeto ainda não tem prazo de execução. Uma empresa deve patrocinar a reforma na varanda.

Refeição. O bufê do restaurante varia todos os dias e é assinado pela curadora gastronômica Sandra Valéria Silva. Com o sucesso de público, cogita-se abrir o local para o jantar e também aos domingos. "O centro tem muitos atrativos", diz Sandra.

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