Munição indica que chacinas de Carapicuíba podem ter ligação

Polícia identificou que o mesmo lote de cápsulas de 9 mm foi utilizado nos dois crimes na Grande São Paulo nos dias 13 e 26

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

29 Julho 2014 | 10h38

SÃO PAULO - A Polícia obteve a primeira pista que pode ligar as duas chacinas ocorridas em menos de 15 dias em Carapicuíba, na Grande São Paulo - a última com sete mortos e quatro feridos em uma série de quatro ataques entre 3h e 5h de sábado, 26. Foi identificado que o lote das cápsulas de 9mm foi usado nos dois dias, 13 e 26, pelos assassinos. A informação pode identificar que a ação foi realizada por um mesmo grupo de pessoas. 

Um policial militar já estava preso temporariamente desde a manhã de sábado depois de ter seu álibi desconstruído pela Polícia Civil. Ele, que estava baleado na perna, afirmou que teve a moto assaltada durante encontro com uma namorada no mesmo horário do início dos ataques. Foi apreendido com ele um revólver de calibre semelhante a de parte das mortes. A moto do policial foi localizada no local onde ele informou o roubo. A namorada, em depoimento, desmentiu a história e disse que o passeio se encerrou horas antes dos ataques. 

Nesta segunda-feira, 28, um policial militar foi detido administrativamente pela Corregedoria, por aparecer em filmagens obtidas pela polícia levando ao hospital um colete de segurança ao PM baleado.

Segundo o comandante-geral da PM, Coronel Benedito Meira, ele não comunicou aos supervisores que iria até o local nem explicou o motivo da ida. A corporação só ficaria sabendo da chegada do soldado detido por meio de um funcionário do pronto-socorro. Houve ainda um segurança preso pela Polícia Civil na segunda-feira, por suspeita de envolvimento com as mortes do dia 26. 

Outros policiais. Em coletiva no sábado, o delegado Andreas Schiffmann,do Setor de Homicídios, afirmou que havia indícios de que outros policiais poderiam ter participado do crime além do que já está detido, como a presença de diferentes calibres das armas e a distância temporal entre os quatro ataques em pontos distintos da cidade.

A PM vai apurar o trajeto de todas as viaturas na região. Será feito o procedimento de "replay" das viaturas para apurar onde elas estavam no horário da chacina. A corporação ainda investigará o controle de entrada e saída de armas por policiais. "Queremos esgotar todas as possibilidades de ter participação ou não de outros policiais", afirmou Meira. Uma das linhas de investigação aponta que a série de mortes seria uma vingança pelo assassinato de um soldado, cujo corpo foi encontrado em uma favela no dia 19.

Mais conteúdo sobre:
São Paulo Carapicuíba Chacina Violência

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.