JB Neto/AE
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Multas para quem invadir faixas de pedestre no centro começam no dia 8

Três infrações, com valores que vão de R$ 127,69 a R$ 191,53 e rendem até sete pontos na carteira, estarão na mira de marronzinhos

Renato Machado e Caio do Valle, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2011 | 00h00

O motorista que invadir a faixa ou colocar os pedestres em perigo na região central de São Paulo será multado em até R$ 191,53 a partir de 8 de agosto. Essas infrações estão previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), mas na prática são ignoradas na capital e em outras cidades. A data para o início da fiscalização coincide com a comemoração do Dia do Pedestre.

A aplicação de multas é a terceira etapa da campanha lançada no dia 11 de maio para aumentar o respeito aos pedestres. A região central e da Avenida Paulista foi escolhida para ser a primeira com maior fiscalização justamente porque foi a pioneira em receber a Zona de Máxima Proteção ao Pedestre (ZMPP) - área com ações educativas, orientadores contratados (os chamados "mãozinhas) e agentes treinados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). "Os motoristas nessa área estão mais preparados", diz a superintendente de Educação e Segurança de Trânsito da CET, Nancy Schneider. Os "marronzinhos" estão sendo treinados e vão receber uma cartilha com os comportamentos ideais de motoristas e pedestres.

A fiscalização vai focar três enquadramentos do código: não dar a vez aos pedestres sobre a faixa de segurança, não esperar as pessoas a pé terminarem de atravessar uma rua (mesmo que o semáforo para carros já esteja aberto) e não dar a preferência aos pedestres quando o motorista vira em uma rua transversal.

Os dois primeiros casos são infrações gravíssimas, com multa de R$ 191,53 e perda de 7 pontos na Carteira Nacional de Habilitação. A última é infração grave, com multa de R$ 127,69 e rende 5 pontos na CNH. A CET também afirma que vai intensificar a fiscalização contra motoristas que não dão seta ao entrar em uma rua e contra quem para sobre a faixa, quando o semáforo fecha.

A reportagem do Estado esteve ontem em dez cruzamentos da região central (15 minutos em cada um). Foram verificadas nesse período 124 infrações. O ponto mais problemático foi o cruzamento das Ruas Riachuelo e Quintino Bocaiuva, onde a CET faz trabalho educativo pela manhã. Foram 37 infrações - praticamente uma a cada 30 segundos. "Pela manhã, com a CET, todos respeitam. Mas à tarde, os motoristas não querem nem saber", disse a servidora pública Lissandra Cremonti, de 34 anos.

Nova York. Técnicos da CET estiveram em Nova York para verificar as práticas positivas para reduzir atropelamentos. Uma das ações que se pretende adotar - embora em um futuro distante - é mudar o conceito dos semáforos para pedestres. Ao contrário do Brasil, a cidade americana usa o verde como um tempo não muito longo, que indica que os pedestres podem começar a travessia. O vermelho piscante é bastante prolongado e significa que as pessoas a pé não podem começar a atravessar, mas as que já começaram a travessia podem chegar do outro lado, sem correr. No vermelho, fica proibido atravessar.

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