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Bandeirantes. Radar que lidera ranking faz mais de 15 flagrantes por hora na zona sul JF DIORIO / ESTADÃO

Multa de trânsito cai 22% em SP; só 1 em cada 5 veículos foi autuado neste ano

Foram 5,3 milhões de infrações no 1º semestre de 2018, ante 6,8 milhões no mesmo período de 2017. Há 206 mil que foram multados mais de três vezes, enquanto 7,1 milhões de veículos não levaram nenhuma multa. Valores pagos chegam a R$ 921 mi

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2018 | 03h00

O total de multas de trânsito aplicadas na cidade de São Paulo caiu 22% nos primeiros seis meses deste ano, na comparação com o primeiro semestre de 2017. Foram 5,3 milhões de infrações em 2018, ante 6,8 milhões no mesmo período do ano passado. Dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostram que apenas 18% dos cerca de 8,5 milhões de veículos com placas da cidade cometeram alguma infração neste ano. Há 206 mil motoristas multados mais de três vezes, enquanto 7,1 milhões de veículos não levaram nenhuma multa. 

A redução das multas ocorre mesmo com incremento do número de radares em operação. A cidade contava com 877 equipamentos no ano passado. Atualmente, são 901. Mas há redução tanto no total de multas aplicadas pelas máquinas (que caíram de 5,1 milhões para 4,1 milhões) quanto nas anotadas pelos marronzinhos. 

No primeiro caso, a principal infração registrada ainda é o desrespeito aos limites de velocidade em um total de até 20% acima do limite da via - que é de 50 km/h em quase todo o Município, com exceção de vias como a Avenida 23 de Maio e as Marginais. Na vice-liderança está o desrespeito ao rodízio. 

Já as multas aplicadas pelos marronzinhos, que fiscalizam alguns tipos de infração que não são captadas pelos radares, como usar o celular enquanto se dirige, caíram em um porcentual maior, se observadas isoladamente. Foi de 26%, passando de cerca de 1,7 milhão de infrações nos primeiros seis meses do ano passado para 1,2 milhão agora. No ano passado, a infração que liderava o ranking, com 278 mil autuações, era estacionar irregularmente em local de Zona Azul. Neste ano, a liderança ficou com andar na faixa exclusiva para ônibus, com 197 mil registros. Houve queda de 56% no total de infrações à Zona Azul, com registro de 121 mil infrações neste ano. 

Causas

Para o engenheiro de trânsito Sérgio Ejzenberg, mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo (USP), uma das explicações para a queda é o fato de que, mais caras, as multas podem estar cumprindo o papel educativo. 

“Com o tempo, as pessoas aprendem. Se você instala um radar, no começo o número de multas vai ser grande, mas com o tempo tende a diminuir. É como pescar em um local em que ninguém pesca. Você pegará muitos peixes. Mas, depois, quando mais gente pesca, o número diminui. Se a pessoa leva uma multa, duas, três, existe um efeito educativo no bolso. E as infrações diminuem”, afirma ele.

Vale destacar que, desde o fim de 2016, as multas ficaram mais caras. A infração leve, que custava R$ 53,20, passou para R$ 88,38, por exemplo. A gravíssima foi de R$ 191,54 para R$ 293,47. Por isso, o total arrecadado com as multas pela Prefeitura neste ano é até maior do que no primeiro semestre do ano passado. Já foram pagos R$ 921 milhões em 2018, 9,3% a mais que os R$ 843 milhões arrecadados no primeiro semestre de 2017. Os recursos custeiam a operação da própria CET. 

Mas Ejzenberg cita outras hipóteses para a queda: a retração da atividade econômica e o desemprego, que resultam em menos carros em circulação e, por isso, menos infrações. A queda nas multas da Zona Azul seria um indicativo para reforçar a tese. “A Zona Azul está diretamente ligada à atividade econômica, ao comércio”, afirma o engenheiro. 

Essa infração, especificamente, passou por uma mudança de fiscalização em 2016, quando começaram a ser vendidos cartões eletrônicos, adquiridos por celular. Em 2017, foram emitidos 9,5 milhões. Neste ano, foram 11,6 milhões. É um aumento de 21%, mas que fica em porcentual menor do que o da queda de autuações.

Tendência

Este é o segundo ano em que o total de multas aplicadas a carros na cidade cai, o que quebra uma série de aumentos que vinha sendo observada na capital de 2014 (dado mais antigo disponível no site da CET) em diante. Naquele ano, houve 4,4 milhões de infrações no primeiro semestre. Em 2015, o número passou para 5,5 milhões de multas. Então subiu para 7,8 milhões em 2016 e caiu para os 6,8 milhões de 2017. 

Explicação oficial

Para a CET, a redução no número de multas aplicadas está relacionada a ações que a companhia adotou para melhorar a sinalização da cidade - há mais placas, segundo a empresa, próximas dos radares que mais registram infratores. Essa medida foi adotada justamente para que os motoristas evitassem acelerar demais. “A redução vem sendo observada desde o ano passado, quando foram adotadas melhorias na sinalização viária, principalmente nos locais onde estão instalados os radares com maior incidência de registros. A medida melhorou a percepção dos motoristas”, diz a CET.

Para a companhia, ligada à gestão Bruno Covas (PSDB), “as medidas de melhorias na sinalização e a conscientização dos motoristas para que cumpram as regras de trânsito têm sido determinantes na queda das autuações e nos acidentes”.

Mortes

O total de mortos caiu de 482, no primeiro semestre de 2017, para 417 neste ano: 186 eram pedestres, 167 motociclistas, 39 ocupantes de automóvel, 13 ciclistas, 2 ocupantes de caminhões e 1 ocupante de ônibus.

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Radar campeão de multas registra 15 infrações por hora; veja lista dos que mais multam

Equipamento na Avenida dos Bandeirantes anotou 66,3 mil infrações no primeiro semestre de 2018

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2018 | 03h00

As lentes da fileira de radares instalados na subida da Avenida dos Bandeirantes, no sentido Imigrantes, a cerca de 35 metros do viaduto da Avenida Washington Luís, na zona sul da capital paulista, flagraram um motorista cometendo alguma infração de trânsito a cada quatro minutos no primeiro semestre deste ano. São 15 infrações por hora. Ou um total de 66,3 mil infrações no primeiro semestre de 2018.

O local, uma via expressa de quatro faixas, usado como acesso de moradores das zonas norte, leste e do ABC para a região das avenidas Brigadeiro Faria Lima, Engenheiro Luís Carlos Berrini, 23 de Maio e o Aeroporto de Congonhas, é o ponto da cidade em que mais se registra desrespeito às regras de circulação.

É o segundo ano que esse ponto lidera o ranking de multas da cidade, disponibilizado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) em seu site de multas, o Painel Mobilidade Segura.

No ranking de onde mais se desrespeita o trânsito, depois desse local da Bandeirantes, vêm três pontos da Marginal do Tietê: perto da Alça da Ponte das Bandeiras, no sentido Castelo Branco, na pista local, que teve 46,9 mil registros no primeiro semestre deste ano; na pista central, 28 metros depois da Ponte das Bandeiras e, por fim, também no sentido Castelo, na pista expressa, na altura do km 15.

O "top 5" do desrespeito é finalizado pelo conjunto de radares instalados na Avenida do Estado, na pista sentido Ipiranga, na zona sul, próximo à Rua Dona Ana Neri, que teve 36,1 mil multas anotadas só no primeiro semestre deste ano.

A CET afirma possuir 901 radares em operação na cidade de São Paulo. A maior parte dos equipamentos tem um sistema chamado Leitor Automático de Placas (LAP), que fiscaliza não só o excesso de velocidade, como também desrespeito ao rodízio e, dependendo do local, o avanço do semáforo vermelho ou parar sobre a faixa de pedestres.   

 

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