Multa da PM resolve o problema do barulho?

Waldir de Arruda Miranda

, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2010 | 00h00

Sim A poluição sonora é considerada pela Organização Mundial da Saúde o pior tipo de poluição. De forma sorrateira, ela causa estresse, danos neurológicos e até brigas violentas entre vizinhos. É preciso fiscalizar, controlar e penalizar quem passa dos limites. E é boa a notícia de que pode vir por aí um "batalhão do barulho" da Polícia Militar. Até por ter um contingente muito maior que o de fiscais municipais, a corporação terá mais capacidade que a Prefeitura para punir, 24 horas e de forma imediata, os que incomodam. Agora, é preciso também pensar em uma punição eficiente para coibir os barulhentos. Não adianta dar uma multa simbólica. Uma solução, por exemplo, é adequar o valor à dimensão da festa e obediência do organizador. Em casos de reincidência, o valor tem de aumentar ainda mais. Se não for assim, muitas casas noturnas, bares e igrejas preferirão arcar com as penalizações, em vez de parar com a barulheira. E, assim, continuarão a tirar o sono da vizinhança.

ADVOGADO, ESPECIALIZADO EM PERTURBAÇÕES URBANAS, AUTOR DO LIVRO "PERTURBAÇÕES SONORAS NAS EDIFICAÇÕES URBANAS"

Carlos Apolinario

Não Eu não concordo com a criação do batalhão do barulho da Polícia Militar (PM). Todos sabem que São Paulo é uma cidade barulhenta e desorganizada. E por isso a Prefeitura deveria fiscalizar melhor, aumentando o número de fiscais. Também deveria fazer uma campanha de orientação. Em vez disso, a administração municipal demonstra a sua incapacidade de fiscalizar. E quer transferir essa responsabilidade para a PM, que estará deixando de cumprir as suas obrigações, tanto no policiamento ostensivo quanto preventivo. Porém querem colocar um policial fardado e armado adentrando recintos onde houver uma denúncia de barulho. Esse tipo de ação servirá apenas para constranger e intimidar os cidadãos. Dessa forma, uma fiscalização que deveria ser normal acabará se transformando em um caso de polícia e o papel da PM é estar nas ruas para combater o crime e não para exercer uma função que é dos fiscais da Prefeitura, ficando comprovado que a administração municipal está sem condições de resolver os problemas da cidade.

ADVOGADO, VEREADOR DE SÃO PAULO PELO DEM

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