NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Mulheres protestam em São Paulo por direitos iguais e contra a violência

Manifestação que marca o Dia Internacional da Mulher ocorre em uma das vias da Avenida Paulista e clama contra a desigualdade, os casos de feminicídio e o desrespeito

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2019 | 19h25

SÃO PAULO - Milhares de mulheres pararam uma das vias da Avenida Paulista, no centro de  São Paulo, no início da noite desta sexta-feira, 8. Contra a violência, a desigualdade, o feminicídio e o desrespeito, elas se juntaram ao movimento de milhões de mulheres que marcharam em diversas cidades do mundo neste Dia Internacional da Mulher para reivindicar seus direitos.

O ato foi marcado ainda pela insatisfação delas com políticos. Em vários momentos, as músicas eram interrompidas por gritos de "ele não", contra o presidente Jair Bolsonaro. E "Doria também não", contra o governador tucano de São Paulo. Muitas mulheres também se manifestaram contra a reforma da previdência.

A professora aposentada Marlene Barbosa, de 57 anos, estava acompanhada da neta Isadora, de 3 anos. "Estou aqui e quis trazê-la, porque o meu maior sonho é que ela, quando crescer, não precise lutar por direitos básicos. Estou aqui lutando pelo direito à segurança, igualdade e à minha vida, da minha neta e de todas as mulheres", disse com a menina no colo.

A publicitária Ana Paula Sousa, de 37 anos, levou o filho Gael, de 8 anos, para que ele compreenda as dificuldades que as mulheres enfrentam e não reproduza comportamentos machistas. "Sempre conversamos e o educamos em casa para que ele trate mulheres com respeito. Trazê-lo aqui é uma forma de mostrar pra ele a importância de tratar todos com igualdade, com respeito."

Policiamento

A Polícia Militar só autorizou que as manifestantes ocupassem uma das vias da Avenida Paulista, apesar do grande número de pessoas. Por volta das 18h30, algumas mulheres tentaram ocupar a segunda faixa, mas não conseguiram impedir os carros que continuaram trafegando no sentido Paraíso.

Ao menos 30 policiais do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) acompanham o protesto. Eles usam capuzes negros cobrindo os rostos e estão sem a identificação do nome nos uniformes. Um tenente informou que o capuz é antichamas e é utilizado quando há risco de serem atingidos por coquetel molotov.

No entanto, o protesto segue pacífico e sem nenhum incidente. Há famílias e mulheres com crianças de colo. 

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