Mulher tinha 16 mil pedras de crack

Foi a maior apreensão da droga desde o início da operação na cracolândia; polícia também encontrou com ela cocaína, maconha e arma

O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2012 | 03h03

Uma mulher de 25 anos foi presa anteontem à noite, na zona leste de São Paulo, com 16 mil pedras de crack. É a maior apreensão de drogas desde que teve início a Operação Centro Legal, que pretende reduzir o poder do tráfico na região central da capital.

Além do crack, policiais do Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc) apreenderam com Jéssica Helena Martins Silva 3,6 quilos de cocaína, 3 quilos de maconha, comprimidos à base de morfina e 5 quilos de outras substâncias, entre elas cafeína, utilizadas na preparação da droga. Também foram pegos com ela uma pistola calibre 380 e munição.

Segundo os policiais do Denarc, a mulher estava em um Fiat Siena, na frente da própria casa, na Travessa Araçá de Coroa, na Vila Leme, região da Água Rasa, quando foi abordada. A polícia afirmou que um dos destinos da droga apreendida na zona leste seria a região da cracolândia. Para não despertar suspeita, a traficante costumava sair de casa acompanhada do filho, de 1 ano.

Pouco antes da prisão de Jéssica na zona leste, a Polícia Civil deteve 11 pessoas na Rua Oscar Cintra Gordinho, na região central. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, eles também fariam parte de uma quadrilha que atuava na distribuição de drogas pela cidade.

Prisões. Desde o início da Operação Centro Legal, em 3 de janeiro, o Denarc já prendeu 64 pessoas, 50 em flagrante. Foram 51 homens e 13 mulheres. Cinco adolescentes também foram apreendidos.

No total, o Denarc apreendeu 9,9 kg de cocaína, 16,7 kg de maconha, 200 gramas de haxixe e 984 gramas de crack.

Segundo o delegado da área de inteligência, Edison De Santi, o Denarc tem buscado atualmente descobrir os novos pontos em que os traficantes vendem a droga na região. Boa parte dos detidos pelos policiais do departamento são usuários que vendem a droga para sustentar o vício.

Falta. As pedras estão começando a rarear na região da cracolândia, diante da repressão policial aos microtraficantes que atuam em toda a área.

Segundo entrevistas feitas na região, na tarde de ontem, a falta de crack tinha inflacionado o valor do entorpecente na Rua Helvétia e levado alguns dependentes químicos ao desespero. "Que Deus é esse que não me dá uma pedra?", dizia um usuário diante da falta de chance para se drogar.

Ainda na tarde de ontem, uma tragada, segundo usuários, era vendida por traficantes por R$ 10 - antes da operação da polícia, esse era o valor da pedra.

Durante a semana, as pedras suficientes para apenas uma tragada eram vendidas por R$ 1. São pouco maiores do que um grão de arroz, subdivisões do "bloco" (a pedra de R$ 10). De acordo com os usuários, elas também são doses de qualidade inferior.

Apesar da aparente escassez da droga, ainda havia usuários consumindo as pedras nas ruas da cracolândia. / WILLIAM CARDOSO, BRUNO PAES MANSO e DIEGO ZANCHETTA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.