Mulher sequestra bebê de maternidade particular

Tamit se entregou, após tirar recém-nascida dos braços da mãe, em São Gonçalo (RJ); criminosa procurava uma menina e já havia invadido 2 hospitais

Tiago Rogero e Alessandra Saraiva, O Estado de S.Paulo

24 Julho 2011 | 00h00

Uma recém-nascida foi levada, na tarde de anteontem, do hospital particular São José dos Lírios, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. Ayanna Milla foi tirada dos braços da mãe, a auxiliar administrativa Eliza da Silva Barbosa, de 27 anos, por uma mulher que se passou por médica e disse que a criança precisava fazer exames. Tamit Peixoto, de 27 anos, foi flagrada pelo circuito interno de segurança e se entregou à polícia ontem.

Com um advogado, Tamit levou a criança para a 154.ª DP (no bairro Cordeiro, em Nova Friburgo), distante 150 km do local do crime. Disse que já tinha dois filhos e queria uma menina.

Às 20 horas de ontem, a família do bebê estava a caminho da delegacia em Cordeiro, para recuperar a criança. A mãe de Ayanna ainda se encontrava no hospital. "Estou nascendo de novo agora", disse Eliza, emocionada.

Tamit aparece nas imagens do circuito interno entrando no banheiro com duas bolsas, uma delas grande, e o bebê no colo. Ao sair, a criança não aparece mais. A suspeita é de que o bebê estivesse em uma das bolsas.

A diretora administrativa do São José dos Lírios, Alice Diniz, disse que imagens de uma loja de material hospitalar mostram a mulher comprando o jaleco branco e estetoscópio usados na abordagem. Toda a ação da sequestradora levou 14 minutos. Após apresentar uma carteira falsa do Conselho Regional de Medicina na recepção, por volta das 17h, ela subiu ao terceiro andar, cumprimentou enfermeiras e entrou no quarto de Eliza.

O diretor do hospital, Sérgio Moutinho, chamou a polícia cerca de uma hora depois. "A própria mãe deu a criança, não temos acesso a isso. Ela saiu com o bebê na bolsa. Não revistamos as pessoas que saem", justificou. Mas o hospital já informou que vai reforçar a segurança.

Fracassos. A sequestradora havia tentado sequestros em pelo menos outros dois hospitais da cidade. No Pronto-socorro de São Gonçalo, foi barrada na entrada por não ser funcionária da unidade. Na segunda tentativa, na Clínica São Gonçalo, a suspeita conseguiu entrar, mas não teve sucesso. A tia de uma recém-nascida desconfiou da ação dela, que dizia ser enfermeira. A mulher chegou a ser abordada por seguranças, mas foi liberada ao apresentar a carteira falsa. Na clínica, a sequestradora se identificou como Taíza Kézia.

Testemunhas e funcionários dos hospitais foram ouvidos ontem na 72.ª DP (São Gonçalo), que investiga o caso. O delegado Geraldo Assed acredita na existência de pelo menos um comparsa, que teria ajudado a suspeita na fuga, pois ela se movimentou rapidamente pelos três hospitais. Assed também estuda a possibilidade de indiciar, por omissão, os hospitais onde a mulher conseguiu entrar.

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