Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Mulher que mandou matar pai é absolvida

Em 15 de novembro de 2005, Severina Maria da Silva contratou dois homens para assassinar o pai, Severino Pedro de Andrade, após ser abusada sexualmente por anos. Ontem, ela foi absolvida por unanimidade em julgamento realizado na 4.ª Vara do Tribunal do Júri do Recife.

Angela Lacerda / RECIFE, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2011 | 00h00

Nem mesmo o promotor José Edivaldo da Silva pediu condenação. "As provas são muito fortes no sentido de que ela vivia sob coação material permanente, não se podendo exigir dela outra conduta, embora que trágica."

De família de agricultores, Severina vive na área rural de Caruaru, no Agreste pernambucano. Não sabe ler nem escrever. Aos 9 anos, foi estuprada pelo pai, com ajuda da mãe. Ela foi abusada por anos seguidos e teve 12 filhos com o pai. Sete morreram. Quatro dos cinco filhos - o mais velho de 19 anos e o mais novo de 12 - acompanharam o julgamento.

Severina disse que, em novembro de 2005, foi espancada pelo pai por três dias seguidos ao se negar a fazer o que a mãe havia feito com ela: segurar a filha, então com 11 anos incompletos, para que ele a violentasse. Diante da resistência, Severino a teria ameaçado de morte. Ela, então, contratou os dois homens, que mataram Severino a facadas.

A ré afirmou que tentou escapar várias vezes, mas o pai a encontrava. Nas duas vezes em que tentou denunciar o caso à polícia, foi desacreditada. "Ele ia com advogado", disse Otília Maria da Conceição, irmã da vítima.

Severina se emocionou após o veredicto. "Deus me deu liberdade para eu poder cuidar dos meus filhos", disse ela, que afirmou já ter perdoado a si mesma e ao pai. Severina chegou a ficar um ano e seis meses presa. Edílson Francisco de Amorim e Denisar dos Santos, executores do crime, foram condenados em 2007 a 17 e 18 anos de prisão e hoje cumprem a sentença.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.