Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Mulher que denunciou execução é protegida pela polícia

Denunciante de homicídio em cemitério de Ferraz de Vasconcelos preferiu nao entrar no programa de proteção a testemunhas

Camilla Haddad e Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2011 | 00h00

Uma testemunha que brincava com a filha no estacionamento do condomínio onde Dileone Lacerda de Aquino se refugiou da polícia em 12 de março disse que ele foi arrastado por PMs e gritou: "Minha perna "tá" doendo, senhor!" Em seguida, os PMs responderam: "Cala a boca, ladrão." Minutos depois, Aquino foi jogado violentamente na viatura para ser executado perto dali, no Cemitério das Palmeiras, em Ferraz de Vasconcelos.

O depoimento consta no Processo 124/2011, que corre na comarca da cidade, e ajuda a detalhar o caso revelado ontem com exclusividade pelo Estado. A testemunha foi ouvida na Corregedoria da PM no dia da morte de Aquino. Disse conhecer apenas o irmão do homem morto e relatou ter ouvido sete tiros no condomínio, mas não chegou a observar o momento em que Aquino foi ferido. Outra testemunha, porém, narrou a morte em tempo real ao 190, fato que levou à prisão em flagrante dos PMs Ailton Vital da Silva e Felipe Daniel da Silva, detidos no Romão Gomes.

Segundo o capitão Emerson Massera, porta-voz da corporação, a testemunha que ligou para o 190 pediu para permanecer sob proteção da Corregedoria da própria Polícia Militar.

O serviço já vinha sendo prestado pelos policiais desde 12 de março. "Ela está se sentindo segura e confortável com a proteção que policiais vêm dando a ela desde que o caso ocorreu. Os policiais suspeitos de autoria do crime estão presos, o que torna a situação mais tranquila. A proteção vai continuar enquanto ela achar necessária", diz Massera.

Provita. A Secretaria Estadual de Justiça oferece o Programa Estadual de Proteção a Testemunhas (Provita), que pode durar de 6 meses a 2 anos e inclui mudança de endereço e restrição dos contatos da vítima com terceiros. Atualmente, 64 pessoas estão sob proteção do programa. "Ela preferiu não alterar tanto a rotina, por isso não entrou no Provita. Depois da repercussão, está mais resguardada. Teve a voz reconhecida por vizinhos e se sentiu insegura. Mas ela confia na polícia, tanto que ligou para o 190 para fazer a denúncia", diz Massera.

O capitão ainda explicou que o tenente-coronel Roberto Fernandes, responsável pelo 29.º Batalhão da Polícia Militar, não foi afastado porque tomou as providências necessárias para tirar os suspeitos da rua. "Os policiais foram presos em flagrante ainda quando faziam o boletim de ocorrência na delegacia. Em seguida, ele comunicou o caso ao coronel (Marcos) Chaves, comandante do policiamento na capital, que avisou o Comando Geral", explica. O capitão responsável pela 4.ª Companhia, no entanto, acabou afastado de suas funções em 26 de março.

Governador. Em Piracicaba, no interior, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que os policiais envolvidos na execução de Dileone serão punidos. "Eles já estão presos. Nós não passamos a mão na cabeça de bandido. Eles serão expulsos da polícia e responderão a processo criminal." Alckmin também elogiou a atitude da testemunha. "Essa mulher teve uma atitude exemplar, corajosa, firme, denunciando um caso gravíssimo. Quero cumprimentá-la e dizer que ela é um exemplo de cidadã que ajuda a sociedade."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.