Mulher nega ter planejado assassinato no interior de SP

Leonor de Oliveira seria integrante de quadrilha especializada em comprar precatórios no Estado

Hélcio Consolino, especial para O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2008 | 18h59

Num depoimento de quase sete horas nesta terça-feira, 12, a assistente social Leonor Ataíde de Oliveira, de 61 anos, negou ter planejado o assassinato da dona de casa Selma Gil Lange, de 47 anos, e de seu sobrinho, Luiz Guilherme Gil, de 13 anos. Eles foram executados a tiros por motoqueiros, respectivamente nos dias 12 de maio e 12 de junho, em Taubaté, a 120 quilômetros de São Paulo.   Veja também: Presa quadrilha acusada de comprar precatórios em São Paulo   As primeiras investigações da Polícia Civil com a Promotoria de Justiça do município apontam que os crimes teriam sido encomendados para evitar a divulgação de negócios feitos pela acusada e eu filho, o advogado Alexandre Oliveira, na compra subfaturada de milhares de precatórios em todo o Estado.   Leonor de Oliveira chegou em Taubaté por volta das 10h30, com o rosto protegido por um pano preto. O mesmo procedimento foi tomado ao retornar, no final da tarde, para a 89.ª Delegacia do Morumbi, destinada a presas com curso superior, na cidade de São Paulo. Segundo o advogado de defesa, Antonio Carlos dos Santos, ela se manteve tranqüila e negou vingança contra Selma Lange, que saberia do esquema dos precatórios. "Todos os negócios são lícitos", acrescentou.   A segunda hipótese, de que a morte teria sido encomendada por causa de uma dívida de R$ 40 mil por parte de Selma, também foi negada pela depoente. A terceira via da investigação seria por ciúmes de Leonor, que foi namorada do irmão da vítima, José Roberto Gil, pai do menino assassinado. "Ela nega tudo e está sensibilizada", diz o advogado.   As acusações contra Leonor tiveram origem em declarações do detento Douglas de Moura Cipriano. Conforme as investigações, ele teria sido agenciado pelo irmão da assistente social, Álvaro Marcondes Vieira Filho para matar Selma Lange, na saída temporária do dia das mães. Cipriano, que cumpria pena em regime semi-aberto na cidade vizinha de Tremembé, também tem envolvimento no plano que matou o menino, mas que teria sido executado por engano no lugar de outro sobrinho, Diego Gil, envolvido com tráfico de drogas.   "Assim haveria um álibi perfeito, que caiu por erro do alvo", diz o delegado responsável pelo caso, Marcelo Duarte. Ele também demonstrou convicção de que há provas e várias contradições no depoimento desta manhã, suficientes para incriminar Leonor. Os dois assassinatos serão reconstituídos na quinta-feira. O advogado de defesa disse que vai pedir a revogação da prisão preventiva de sua cliente.

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