Mulher ligada ao PCC é 40ª detida; 3 suspeitos estão desaparecidos

Polícia apreendeu também cinco carros de luxo em operação iniciada no sábado. Identidade da presa não foi revelada

Bruno Ribeiro , O Estado de S. Paulo

14 Julho 2014 | 21h17

SÃO PAULO - A Polícia Civil prendeu a 40.ª pessoa acusada de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) desde que uma nova empreitada contra a facção criminosa teve início, no sábado passado. Trata-se de uma mulher, cuja identidade não foi confirmada oficialmente, detida nesta segunda-feira, 14, na zona leste de São Paulo. A polícia apreendeu também cinco carros de luxo que seriam de um dos suspeitos que haviam sido detidos no sábado.

O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) obteve autorização judicial para prender 43 suspeitos de integrar a facção. Três deles ainda estão foragidos e há suspeita de que ao menos dois acusados tenham saído do País. Apesar disso, na noite desta segunda, a polícia ainda tinha a expectativa de fazer novas capturas nesta terça. 

Além das prisões, a polícia também cumpriu, desde sábado, 47 mandados de busca e apreensão. O material apreendido já começou a ser analisado e há documentos que relatam que as drogas vendidas pela facção vinham principalmente da Bolívia - como uma série de investigações do passado, feitas pela própria Polícia Civil, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Estadual, já havia apontado.

O esquema de distribuição de drogas relatado no material apreendido consistia em distribuir os narcóticos (maconha e cocaína) primeiro em Cidade Tiradentes, extremo leste de São Paulo, e em bairros da zona sul, para serem levadas, em menores quantidades, para o restante da capital. Ao todo, segundo o material, a facção movimenta cerca de R$ 5 milhões por mês. Quando a ação foi deflagrada, no sábado, foram apreendidos cerca de cem quilos de cocaína e pouco mais de 40 quilos de maconha, segundo a Polícia Civil.

Suspeitos. A documentação apreendida também indica, segundo a polícia, que a organização criminosa recebe a colaboração de policiais civis e militares. São indícios preliminares, segundo os agentes civis, que serão relatados à Corregedoria da Polícia Civil para apuração.

A Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) ainda não comentou a nova investigação contra a facção criminosa. Nesta segunda, o secretário Fernando Grella Vieira encerrou a entrevista coletiva em que participava instantes depois de ser questionado sobre a suposta participação de policiais militares e civis nas atividades da quadrilha. 

A promessa é que, ainda nesta terça, o organograma da célula do PCC desbaratada na operação seja divulgada, com nomes e funções de todas as pessoas presas desde sábado.

Lucro. Antes de a Copa do Mundo começar, escutas telefônicas mostraram que o PCC pretendia lucrar com a venda de drogas durante os jogos. No ano passado, mapeamento da facção feito pelo MPE apontou que a facção criminosa atualmente tem ramificações em 22 dos 27 Estados do País. Investigação da Polícia Federal descobriu que célula do PCC é especializada em exportar cocaína para a Europa.

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