Mulher de vigilante diz que marido não é bandido

Segurança matou um cliente do banco Bradesco após discussão na agência de São Bernardo

William Cardoso, O Estado de S. Paulo

04 de outubro de 2011 | 22h13

SÃO PAULO - "Vou acessar a internet com a minha filha mais velha e ela vê o pai sendo chamado de noia, de bandido. Ela já entende tudo. Ele é um trabalhador, que sai todos os dias de manhã de casa para trazer o pão para os filhos", afirma a estudante Daniele Priscila Freitas Oliveira, de 28 anos. Ela é a mulher do vigilante Jônatas Pereira Lima, de 29, preso depois de matar o fiscal Sandro Cordon Antônio, de 33, nesta segunda-feira, 3, em uma agência do Bradesco na região central de São Bernardo do Campo.

Os dois começaram a namorar no início da adolescência, há 16 anos, e têm três filhos: uma menina de 12, um garoto de 6, e uma recém-nascida, de 1 ano. Segundo Daniele, o marido chegou a comentar sobre a discussão que teve com o fiscal na última sexta-feira, quando o impediu de entrar na agência, que já estava fechada. "Ele falou que estava preocupado. A pessoa prometeu que voltaria acompanhado de outros para matá-lo."

Daniele reafirma a versão dada pelo marido de que Antônio fez menção de sacar uma arma e que, por isso, o vigilante reagiu, atirando. Depois, foi constatado que a vítima não estava armada. Segundo a estudante, o marido não conhecia o fiscal até a última sexta, quando teve início a rixa entre os dois.

Ela afirma também que Oliveira é uma pessoa caseira e que saía apenas para ir à igreja e ao trabalho.

Eles moram em São Mateus, na zona leste da capital, e são membros da Assembleia de Deus. A estudante diz também que os vizinhos o conhecem como alguém tranquilo, que passeia com a filha recém-nascida nos dias de folga.

Segundo Daniele, Oliveira era vigia do banco havia pouco tempo e tinha a intenção de trabalhar, futuramente, como segurança de carro-forte. "Ele tinha vontade de voltar a estudar, de fazer o supletivo. Ontem (segunda), antes de ir para o trabalho, disse para eu não esquecer de comprar um caderno para ele."

Ela diz também que entende o sofrimento da família do fiscal. "Não desejaria isso para ninguém, independente de quem fosse o rapaz. Mas queria que eles soubessem que não está sendo fácil para mim também. Vou orar pela família dele", diz Daniele.

Indiciado. O vigilante foi indiciado por homicídio doloso (com a intenção de matar) e acabou transferido nesta terça para um Centro de Detenção Provisória.

A polícia considerou que Oliveira atacou a vítima sem dar chance de defesa. Imagens do circuito interno da agência, de uma câmera instalada em um corredor do primeiro andar, mostram que o vigilante atirou pelas costas, quando o fiscal tentava fugir depois de ser ferido na barriga.

Ao todo, foram quatro tiros. Além de ferir a vítima na barriga, Oliveira acertou também dois projéteis no lado direito das costas e um no lado esquerdo.

Na segunda, os pais do fiscal apareceram rapidamente na delegacia e afirmaram que pretendem que seja feita a justiça. "Claro que foi uma covardia. Um tiro na barriga e três nas costas", foi o que disse Sandra Alves Silva, mãe do rapaz.

Antonio não mantinha contato com a família havia dois meses. Ele havia terminado o namoro de três anos com a terapeuta Lúcia Pires, de 45 anos. Os dois viveram na mesma casa por um ano. Na mesma época, o fiscal também abandonou o emprego em um supermercado na Rua Conselheiro Nébias, na região central de São Paulo.

O corpo de Antonio foi enterrado nesta terça pela manhã no Cemitério da Vila Formosa, na zona leste da capital.

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