Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Mulher de acusado de fraude no ICMS tinha artigos de luxo

Verônica Rosa possuía 20 pares de sapatos e 25 bolsas de marca, itens considerados pelo MP incompatíveis com o salário de fiscal

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

22 Janeiro 2016 | 14h42
Atualizado 22 Janeiro 2016 | 16h22

SOROCABA - Vinte pares de sapatos e 25 bolsas de marcas como Prada, Chanel, Gucci e Louis Vuitton compunham o vestuário de luxo da mulher do fiscal José Roberto Fernandes, preso por suspeita de fraude milionário ao fisco estadual. O material, apreendido durante a Operação Zinabre, foi apresentado nesta quinta-feira, 21, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual, em Sorocaba, no interior de São Paulo. A mulher de Fernandes, Verônica Rosa, também está presa. 

Na casa do fiscal Eduardo Takeo Tomaki e de sua mulher, Rosângela da Cunha Vaz Tomaki, também presos na operação, foram apreendidos vários equipamentos eletrônicos, entre eles nove celulares de última geração.

De acordo com o promotor Antonio Farto Neto, os produtos apreendidos provam que os fiscais levavam vida incompatível com o salário que recebiam. Uma bolsa Louis Vuitton custa até R$ 16,5 mil, segundo o site da grife.

Os fiscais são acusados de ameaçar empresas e cobrar propina para não emitir multas por sonegação de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS). As mulheres teriam conhecimento e participação nos crimes. Os suspeitos teriam arrecadado R$ 36 milhões e empregaram o dinheiro na compra de 39 imóveis na região de Sorocaba e na capital. Os bens foram bloqueados pela Justiça.

O advogado do casal Fernandes, Jaime Rodrigues de Almeida Neto, considerou "lamentável" o Ministério Público trazer à evidência a intimidade do casal num processo que ainda está no início.

Segundo ele, os produtos foram apreendidos em julho e mostrados à imprensa agora em uma "espetacularização" do caso. "O MP descumpre a presunção de inocência prevista na Constituição", disse. 

A advogada do casal Tomaki, Simone Haidamus, disse que os aparelhos eletrônicos apreendidos na casa do fiscal são encontrados na casa de qualquer pessoa de classe média, não significando, nem de longe, lavagem de dinheiro. “Tudo é estardalhaço, sensacionalismo puro, e o representante do Ministério Público vai responder pelos excessos que vem cometendo”, afirmou.

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