Mulher confessa que esquartejou executivo da Yoki e diz que agiu sozinha

Rastreamento de celular mostrou que Elize Matsunaga esteve na região de Cotia onde as partes do corpo do marido foram encontradas

MARCELO GODOY , WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2012 | 04h17

"Eu vou confessar. Fui eu." Foi assim que a bacharel em Direito Elize Kitano Matsunaga, de 38 anos, assumiu ontem que matou e esquartejou o marido, o diretor executivo da Yoki Marcos Kitano Matsunaga, de 42, depois de uma discussão provocada pela infidelidade dele. O crime aconteceu por volta das 20 horas do dia 19 de maio no apartamento do casal, na Rua Carlos Weber, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo. A informação foi antecipada pelo estadão.com.br.

Durante o depoimento de mais de oito horas na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Elize confessou o crime quando foi confrontada com um indício fundamental. Rastreamento do celular usado por ela no dia seguinte ao assassinato do executivo mostrou que passou justamente pelo local onde foram encontradas as partes do corpo.

"Tivemos uma discussão, soube que ele estava me traindo e eu dei o tiro, doutor", afirmou o mulher do executivo, demonstrando, logo depois, preocupação com a filha do casal, de 1 ano. "Fique tranquila que ela vai ficar com os parentes", respondeu o responsável por conduzir o inquérito policial, Mauro Dias. A criança está em um apartamento com a tia de Elize.

A prova do celular não era a única contra a bacharel em Direito. A polícia também contava com imagens do prédio do casal que mostram que o empresário não tinha saído de casa e nenhuma outra pessoa entrou no apartamento na noite do crime. Também revelam que Elize saiu de casa com três malas por volta das 11h30 do dia 20. E voltou às 23h50 do mesmo dia, sem as malas. Ela chegou a afirmar que teria desistido de uma viagem ao Paraná, onde nasceu, no meio do caminho. Ontem, porém, mudou a versão.

Sacos. Além de não desligar o celular, a mulher do executivo cometeu um deslize relevante para as investigações. Quando a polícia chegou ao apartamento na Vila Leopoldina, recolheu uma série de papéis sobre o empresário. O delegado então pediu sacos emprestados para embalar o material. Elize entregou sacos importados, que, quando fechados, transformam-se em sacolas. São de um tipo difícil de ser encontrado no mercado nacional e de uso pouco comum. Eram os mesmos nos quais foram encontradas as partes do corpo de Matsunaga.

O comportamento de Elize também chamou a atenção dos policiais, quando foi anunciado que ela seria conduzida ao DHPP. Demonstrou frieza na forma como falou. "Ah, o senhor espera um pouco que vou me arrumar e ligar para o meu advogado", afirmou a mulher do executivo ao delegado.

Policiais também estranharam o fato de Elize ter entregue para doação três armas do marido, que era colecionador. Segundo eles, não é comum pessoas se desfazerem de bens guardados por um familiar logo após sua morte.

Depois do desaparecimento, Elize também disse à família de Matsunaga que ele pegou roupas e saiu de casa após uma briga do casal. Dois dias depois, o irmão de Matsunaga recebeu um e-mail da conta do empresário, dizendo que estava tudo bem, enviado por um smartphone na região da Freguesia do Ó, na zona norte da cidade. Policiais acham que a mensagem foi mandada por Elize.

Compras. O cartão de crédito do empresário também foi usado depois da morte. Elize comprou malas Louis Vuitton no Shopping Iguatemi. Em um armário no apartamento, a polícia encontrou 15 malas.

Para o diretor do DHPP, Jorge Carrasco, a bacharel em Direito Elize não recebeu ajuda para cometer o crime. E não há possibilidade de uma reviravolta no caso. "Não houve premeditação. Houve uma briga. Ela agiu sozinha."

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