Mulher com suspeita de dengue morre na calçada em Marília

Vítima esperou atendimento médico por três horas; cidade está em emergência devido a epidemia da doença, com 1,5 mil casos

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

08 Fevereiro 2015 | 17h18

Atualizada às 18h30 de 10/02

SOROCABA – Uma mulher de 61 anos com suspeita de dengue morreu na calçada, depois de esperar três horas pelo atendimento médico numa unidade de saúde básica de Marília, no centro-oeste do Estado. A morte ocorreu na noite de sexta-feira e no sábado, 7, a família procurou a Polícia Civil para denunciar a omissão de socorro. A cidade está em emergência em razão de uma epidemia de dengue, com 1,5 mil casos confirmados.

De acordo com familiares, a dona de casa Rosa da Silva teve o diagnóstico de dengue na quinta-feira, mas foi liberada para fazer o tratamento em casa. Como o estado de saúde piorou, ela voltou à unidade municipal de saúde na noite seguinte, mas não conseguiu atendimento porque não havia médico.

Testemunhas disseram que ela não estava suportando a dor e decidiu voltar para casa. Após sair do hospital, ela caiu na calçada a 50 metros de onde mora e foi encontrada morta.

A família acusa o município de negligência e omissão de socorro e informou que vai recorrer à Justiça. A Secretaria de Saúde de Marília informou que deveria haver um médico no atendimento e que vai apurar o que ocorreu. O decreto de emergência autoriza a Prefeitura a contratar profissionais de saúde sem concurso.

A morte é a segunda na cidade com suspeita de dengue este ano – o outro caso envolveu uma aposentada de 78 anos, mas a causa da morte ainda não foi confirmada. No total, pelo menos 13 pessoas morreram em 2015 no Estado de São Paulo com suspeita de dengue. Os casos ainda aguardam resultados de exames.

Outro lado. A diretoria de comunicação do município apresentou uma versão diferente do ocorrido. Em nota enviada ao Estado, o órgão diz que a paciente chegou a receber atendimento de uma enfermeira - com todos os sinais vitais dentro dos parâmetros da normalidade - e que foi orientada a aguardar por atendimento médico, que chegaria às 11:00. 

No entanto, ainda segundo o documento, Rosa não quis aguardar na unidade relatando que iria até sua casa preparar o almoço e retornaria para o atendimento médico. O prefeito Vinicius Camarinha lamentou o fato e garantiu que será instaurada uma sindicância para apurar todos os fatos.

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