Mulher acha R$ 1,5 mil e devolve

Carteira com dinheiro caiu em vagão do Metrô

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2011 | 00h00

Eram 23h50 de sexta-feira, a dez minutos do fechamento das estações de metrô, quando o funcionário público Jorge Henrique Apolinário, de 46 anos, notou, dentro de um vagão da Linha 1-Azul, que seu bolso estava mais leve. Cadê a carteira, com todo o salário dentro? Exatos R$ 1.494,15, recebidos naquele dia, que serviriam para pagar luz, água, gás, aluguel. E comprar um jogo de lençóis para a mulher.

Já na Estação Armênia, enquanto esperava um ônibus, ele achou que não conseguiria mais reaver o dinheiro. Tentaria a sorte - "teria de ser muita sorte" - no dia seguinte. Então, ouviu o sistema de som anunciar: "Senhor Jorge Henrique Apolinário, favor comparecer à Estação Santana". Primeiro pensou: "Não aprontei nada!" Depois, pulou do banco do terminal e correu de volta às catracas.

"Você é um homem de sorte", ouviu do funcionário, quando chegou ao Centro de Controle Operacional (CCO) da Estação Santana. Lá estava a carteira preta, intacta, com o dinheiro, nenhum centavo a menos. "Me senti o cara mais sortudo do mundo. É o único dia do mês em que a carteira fica gordinha, poderia ter caído na mão de alguém desonesto. Aí, já era", disse. "Porque você sabe: as dívidas não esperam."

Quem salvou o mês de Apolinário foi uma mulher que viajava com ele e viu a carteira no chão após o funcionário público deixar a composição. Ela preferiu manter-se no anonimato. "Foi um anjo da guarda, uma heroína, uma pessoa de muito bom coração. Não é todo dia que alguém salva todo o salário do seu mês", comemorou Apolinário. "No dia seguinte, já passei na imobiliária e na loja de departamentos. Fiz tudo o que havia prometido e todos ficaram felizes. Principalmente minha mulher."

Perdidos. Ao achar objetos no Metrô, o passageiro deve avisar um funcionário ou comparecer às Salas de Supervisão Operacional (SSOs) das estações. Eles são levados às Centrais de Achados e Perdidos nas Estações Sé (de segunda a sexta-feira, das 7 às 20 horas) e Largo 13 (de segunda a sexta, das 8 às 17 horas).

Não é procedimento padrão usar sistema de som para anunciar objetos perdidos: no caso de Apolinário, foi iniciativa dos funcionários, já que havia a chance de o passageiro ainda estar em um vagão da rede. "O ônibus que me levaria para Guarulhos (onde mora) atrasou e fiquei um tempo pensando onde poderia ter perdido a carteira. Foi quando ouvi me chamarem pelo alto-falante", contou. "Até esse atraso colaborou. Foi mesmo um dia de sorte."

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