'Muita gente queria se jogar', relata morador de prédio atingido por incêndio

Fogo no meio da madrugada em edifício no centro de São Paulo pegou os 405 moradores de surpresa; interdição deve durar uma semana

O Estado de S. Paulo

08 Novembro 2013 | 16h11

SÃO PAULO - O incêndio de grandes proporções que atingiu uma academia e um prédio residencial no centro de São Paulo na madrugada e manhã desta sexta-feira, 8, fez com que 405 moradores deixassem suas casas e causou momentos de pânico entre as vítimas. A presença de diversos estrangeiros no edifício dificultou a comunicação com os bombeiros e parte das pessoas achou que não conseguiria ser resgatada. "Ao chegar lá embaixo vimos que muita gente queria se jogar', disse Wilkinson Santana, de 23 anos, que mora há 17 anos no prédio mais afetado. A construção, na esquina das avenidas Rio Branco e Ipiranga, deve ficar interditada por ao menos uma semana, segundo a Defesa Civil.

O fogo teria começado no prédio ao lado, comercial, em uma academia localizada no térreo. Santana diz que os vizinhos foram tocando as campainhas dos apartamentos e gritando "fogo" pelos corredores. Ele só teve tempo de acordar os pais, pegar o cachorro Jhony e descer. O resto ficou para trás. "Você vê tudo que construiu a vida toda pegar fogo. Tragédia: é a única palavra que defini o que aconteceu", lamenta.

O comerciante peruano Marco Antonio Ghuarancca, de 35 anos, também estava dormindo quando as chamas começaram a se propagar. Ele e os três filhos foram acordados pela mulher, grávida de 8 meses, e só conseguiram descer as escadas até o térreo com a ajuda dos bombeiros. "As crianças estavam chorando. Tivemos muito medo", diz ele, há apenas 6 meses no apartamento.

Segundo os bombeiros, 250 portas tiveram que ser arrombadas para o acesso das equipes. Sem entender o que se passava, alguns moradores pensaram tratar-se de um assalto e permaneceram trancados no apartamento.

O coordenador da Defesa Civil municipal, Jair Paca de Lima, afirmou que prédio interditado só será liberado após o proprietário solicitar os reparos na edificação. A fiação elétrica e os elevadores foram danificados, e assim como as lajes do 6º, 7º e 8º andares.

Na edificação ao lado, na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua Boticário, os maiores danos foram na academia Smart Fit, que estava vazia. A unidade foi inaugurada nesta semana e a empresa estima um prejuízo de R$ 4 milhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.