''Muita gente que não é usuário comum procura''

Na busca por um táxi depois das compras, a funcionária pública Talita Alves, de 26 anos, vai para o fim da fila. Outras oito pessoas já estão ali na calçada do Shopping Pátio Paulista, na zona sul da capital paulista. "Prefiro o táxi quando vou às compras porque é difícil de achar vaga em estacionamento. Mas fica difícil achar um carro também."

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2010 | 00h00

No fim de tarde de sexta-feira, a fila do táxi não tem fim. No Pátio Paulista, o fluxo é organizado por dois funcionários que avisam por rádio a chegada dos passageiros. "O ponto tem 50 carros, mas não dá conta", afirma o auxiliar de embarque Alípio José Silva, de 23 anos. "Se chove, a fila atravessa o shopping."

A médica Stela Grespan, de 62 anos, só anda de táxi há 28. "Dependendo da época, fica mais difícil. Agora, no fim de ano, com dias de chuva e enchente, é certeza: os táxis somem", diz. "É porque muita gente que não é usuário comum procura o táxi." Um pouco atrás na fila, o aposentado Lineu de Carvalho, de 68 anos, elogia a quantidade de veículos pela cidade, mas reclama do preço. "Se fosse mais barato, seria melhor, tanto para o bolso quanto para o trânsito, porque mais gente deixaria o carro em casa."

A cena de fila se repete em outros endereços comerciais, mas o maior problema é no centro. Na frente do Fórum João Mendes, a advogada Lucimara Amancio, de 38 anos, balança muito o braço na busca por um táxi. "Nesta época é difícil, mas mesmo assim prefiro o táxi. É mais prático, apesar de caro."

Demanda. Para o presidente da Associação de Empresas de Táxi de Frota do Município de São Paulo, Ricardo Auriemma, o número de táxis em operação na cidade é bom. "É uma quantidade equilibrada para nosso mercado. Não tenho análise técnica para saber, mas é capaz de atender à demanda existente."

Auriemma estima dez corridas por dia para cada veículo. Isso, segundo ele, corresponde a aproximadamente 320 mil corridas diárias. "Se você colocar duas pessoas em cada carro, dá 640 mil pessoas transportadas. Não vejo demanda maior para os 32 mil táxis de São Paulo."

Para ele, o que falta é fluidez no trânsito. "Há um porcentual de motoristas que prefere trabalhar fora dos horários de rush e também em locais mais específicos, como os bairros."

O presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo, Natalício Bezerra, concorda. "O trânsito é caótico. Nesta época do ano, até mesmo ônibus, metrô e trens estão superlotados." / COLABOROU EDUARDO REINA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.