Mudança de cenários traz ar fresco à semana de moda

A moda respirou ontem. Com três desfiles fora do prédio da Bienal, a SPFW trouxe literalmente ar fresco para os fashionistas. Que sensação gostosa entrar no Museu Brasileiro da Escultura e ver o desfile da Neon ou passear pelo Ibirapuera até chegar ao jardim do Auditório onde a Ellus criou um lindo cenário circular - com céu azul tinindo. Confesso que esse vaivém trouxe lembranças da semana de moda de Paris, onde cada desfile é no lugar escolhido pela marca. Aqui, com o trânsito, é vantagem concentrar na Bienal, mas perdemos o encantamento de ver um desfile pensado conforme o lugar, criando um ambiente mágico.

Lilian Pacce, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2011 | 00h00

A magia da Neon, aliás, foi além da construção de Paulo Mendes da Rocha. A marca veio mais madura, mais chique, como se tivesse encontrado o equilíbrio entre seu estilo abravanado e colorido e uma nova elegância, que mistura referências díspares em harmonia absoluta. Com chapéus que são cestinhas indígenas, o desfile começa com peças de zibeline em corte couture, passa por maiôs sensuais prontos para festa, e chega nos looks de linho e seda, com as estampas marcas registradas da dupla Dudu Bertholini e Rita Comparato. Com charme e humor, as modelos fazem a pose certa e terminam em um tableau vivant em forma de "N".

Na Ellus, que teve banda indie ao vivo, o DNA da marca (o jeanswear) vem na modelagem e nos cáquis, mas os tecidos são sofisticados, como sedas e couros. O xadrez perde o ar grunge e vai se apagando, sob jaquetinhas de couro (branca ou prata) e arrematado com uma ótima versão de bolsa quase carteira. Nem tudo é original, mas a coleção atende bem seu público-alvo.

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