Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Muay thai invade academias de São Paulo e ganha as mulheres

Luta tailandesa cai no gosto das paulistanas por elevar autoconfiança e queimar muitas calorias

Valéria França, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2012 | 22h41

SÃO PAULO - O muay thai, antes ensinado apenas nas escolas de artes marciais, agora virou a grande atração das academias de ginástica de São Paulo. Mulheres de todas as idades lotam as salas de aula para aprender golpes de defesa pessoal, que prometem queimar até 1 mil calorias durante uma hora de prática intensa.

O treinamento é pesado. Pelo menos em 40 dos 60 minutos da aula, os alunos passam por um circuito de exercícios aeróbicos. Além de correr em círculo, fazem polichinelos, abdominais e flexão, sem parar. Só depois partem para os golpes. Valem socos, chutes e até ataques com os joelhos e os cotovelos.

O esporte começou a se popularizar entre as mulheres quando a apresentadora Sabrina Sato anunciou que sua boa forma vinha justamente da prática dessa modalidade de luta. Logo depois, foi a vez de a global Christine Fernandes se revelar uma adepta do esporte.

Na Reebok, o professor Roger Chedid montou uma equipe de personals especializada em muay thai. "Antes, eu era o único da academia que ensinava a modalidade, mas surgiram tantos interessados que acabei montando uma lista de espera. Por isso criei um grupo com instrutores." Entre os alunos estão a ex-panicat Dani Bolina e o seu namorado, o modelo Mateus Verdelho. "É uma das maneiras mais rápidas de entrar em forma", diz o personal, ao explicar o motivo de tanto sucesso.

Há pouco mais de seis meses, a academia Runner resolveu testar a aceitação do público e colocou a atividade como uma aula especial de sábado, algo experimental. Apareceram 60 alunos, uma frequência três vezes maior do que em uma aula regular. Foi o suficiente para o muay thai entrar na grade horária em três das 12 unidades da Runner.

É mais difícil do que o boxe? "Na verdade, não, mas tem uma quantidade maior de combinações de movimentos. Pede um pouco mais de coordenação", explica o instrutor Tomas Cabrera, de 50 anos, coordenador de lutas da academia Runner. "E as mulheres gostam porque o muay thai trabalha perna e glúteo." Segundo ele, de cada dez praticantes, oito são mulheres.

Luvas rosas. Em homenagem a elas, nas salas de aula da Runner, os acessórios seguem uma linha fashion. Há luva amarela e até pink. A universitária Fernanda Araújo, de 22 anos, sempre que pode escolhe a rosa. "Depois de três meses de aula, meu cruzado já está ficando bom. Além de aprender a me defender, a aula queima mais calorias do que o boxe tradicional."

Inaugurada no fim do ano passado, a Concept, em Pinheiros, zona oeste da capital, oferece a versão light da modalidade. "Mesmo assim precisa ter muito fôlego", diz a cantora Marilda Teixeira de Almeida, de 46 anos, que acorda às 7 horas para fazer a aula de muay thai. "Mas é incrível. Às vezes, chego lá muito estressada e acabo descarregando tudo nos golpes que estou aprendendo a dar", conta Marilda, que é síndica do prédio onde mora. "Penso no zelador, nos moradores que não dão sossego. Solto toda a minha fúria ali na aula."

Para encarar uma aula, segundo os professores, o aluno deve ter algum preparo físico. Caso contrário, corre o risco de se machucar. Até porque os alunos ficam descalços e quem não está com a musculatura firme acaba torcendo o pé ou sofrendo outros tipos comuns de lesão. "Já chorei muitas vezes durante a aula", diz a estudante Fernanda, que achava os exercícios pesados. "Eu já estou me acostumando. Mas ainda sou a que mais reclama dos exercícios de condicionamento físico."

Para aprender o básico da luta, Cabrera diz que são necessários pelo menos seis meses de aula. Depois de dois meses de treino na academia, a estudante Renata Cristina, de 16 anos, diz que pretende competir. "Meu professor falou que logo posso partir para um treino mais sério, numa escola de artes marciais."

Além de deixar o corpo malhado, esse esporte tem uma série de benefícios, segundo o instrutor Ivan Albuquerque, de 24 anos, da Concept. "Dá equilíbrio, coordenação motora, força e autoconfiança. As mulheres aprendem os golpes de defesa pessoal para a vida toda."

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