Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

MTST protesta em São Paulo contra serviços de telefonia móvel

Trabalhadores sem-teto fizeram ato simultâneo em três pontos da zona sul da capital paulista: na Anatel e nas empresas TIM e Oi. Outro grupo ocupa a entrada da construtora Even, em Pinheiros

Fernando Arbex, Luiz Fernando Toledo e Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo

16 Julho 2014 | 10h31

Atualizado às 15h35

SÃO PAULO - Manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto(MTST) e do Movimento Periferia Ativa fizeram na manhã desta quarta-feira, 16, um protesto em três pontos diferentes da zona sul da capital paulista contra serviços de telefonia móvel prestados no Brasil. Segundo eles, o retorno é precário apesar de a tarifa no País ser a mais alta do mundo. A exigência é por investimentos no setor e melhora do serviço, além da "reestatização" do sistema Telebrás, privatizado em 1998. Mais tarde, por volta das 14h, eles ocuparam novamente a entrada da construtora Even, em Pinheiros.

Segundo a Polícia Militar, cerca de 700 manifestantes protestaram em frente ao prédio da empresa de telefonia Oi, localizada no número 1.155 da Avenida Doutor Cardoso de Melo, na Vila Olímpia. Outro grupo foi ao edifício da Agência Nacional de  Telecomunicações (Anatel), que fica no número 3.073 da Rua Vergueiro, na Vila Mariana. E um terceiro grupo, de mil pessoas, de acordo com a PM, foi à TIM, no número 7.143 da Avenida Giovanni Gronchi, na Vila Andrade, e invadiu o pátio da empresa.

Segundo o coordenador do MTST Joel de Oliveira, a pauta principal do movimento continua sendo a moradia. "Mas ninguém mora sem saúde, educação e outros itens. Por isso, estamos aqui hoje (quarta-feira), para reivindicar nossos direitos", explicou.

O MTST pede diminuição na tarifa da telefonia móvel e aumento da rede de cobertura na periferia. O movimento trouxe uma lista de bairros com problemas no sinal, com nomes como Itaquera, na zona leste, e Campo Limpo, na zona sul, para apresentar à TIM. "Isso (a telefonia móvel) também é pauta trabalhadora", esclareceu Oliveira.

Segundo o gerente de segurança do escritório regional da TIM em São Paulo, Peter Hock, a invasão não era esperada e a equipe precisou ceder por causa do número de manifestantes. Segundo ele, a PM não foi acionada pela empresa.

Antes, a líder Natália Szermeta discursou aos militantes do MTST no pátio da TIM. "Estamos aguardando que essa empresa de telefonia tenha respeito pela gente e atenda a nossa pauta."

"Vamos ficar aqui sem quebrar nada, sem fazer nada do que foi combinado. Isso é uma empresa privada, a polícia vai ficar do lado de fora", argumentou Natália. O movimento é pacífico e as viaturas da PM acompanham do lado de fora.

O ato do MTST na sede regional da TIM se encerrou por volta das 12h20. Já fora da empresa, na Avenida Giovani Gronchi, a coordenadora Natália Szermeta disse que a conversa foi produtiva e que três focos foram dados pelos representantes do movimento: ampliação das antenas e melhora na qualidade das ligações, melhoria no atendimento de call center da empresa e redução nas tarifas de telefonia.

Segundo a militante, os pedidos também contemplam cidades da região metropolitana como Itapecerica da Serra, Embu das Artes e Taboão. Foi entregue uma lista com 40 bairros afetados pelos problemas apontados.

"Coincidentemente, o acesso à telefonia funciona mal ou não existe onde moram os sem-teto e quem não tem dinheiro", disse Natália. 

De acordo com ela, a TIM se comprometeu a entrar em contato com líderes do MTST na próxima segunda-feira , 21, para agendar uma reunião e discutir as melhorias. A comissão destacada para conversar com os militantes teria alegado que o aumento das antenas esbarra na legislação do município, mas que seriam feitos estudos nas regiões apontadas para verificar possíveis falhas de sinal.

A assessoria de imprensa da TIM disse que a empresa não falaria sobre o caso e que resposta seria dada pelo sindicato das operadoras de telefonia móvel.

No fim do encontro, foi anunciado que haverá um ato "em solidariedade à resistência Palestina", que está em conflito com Israel, neste sábado, às 14h, em frente à Estação Berrini, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Anatel. Um grupo com aproximadamente mil pessoas do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) ocupou na manhã desta quarta-feira, 16, o térreo do edifício onde funciona a representação local da Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel), na Vila Mariana, na zona sul da capital paulista. Os manifestantes exigem menores preços e melhorias no serviço de telefonia celular, que é ausente ou intermitente nas áreas mais periféricas da Grande São Paulo.

De acordo com Josué Rocha, um dos coordenadores estaduais do MTST, um representante da Anatel conversou com os manifestantes e se comprometeu a realizar testes para analisar a qualidade do sinal em 25 pontos indicados pelo
MTST, muitos dos quais terrenos ocupados pelo movimento, como o da chamada Copa do Povo, na zona leste. São áreas que ficam nos distritos mais distantes do centro nas zonas leste e sul, além de municípios vizinhos, como Taboão da Serra e
Embu das Artes. 

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