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MTST protesta contra reintegração de posse na zona oeste de SP

Manifestantes da Ocupação Chico Mendes bloquearam Avenida Francisco Morato com barricadas de pneus; polícia não acompanha

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

30 Setembro 2014 | 18h56

Atualizada às 19h50

SÃO PAULO - Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) fizeram um protesto na noite desta terça-feira, 30, no Morumbi, contra a reintegração de posse do terreno ao lado do cemitério Gethsemani, na zona oeste de São Paulo. Os manifestantes da Ocupação Chico Mendes se reuniram em frente ao cemitério e, por volta das 19 horas, chegaram à Avenida Francisco Morato, onde fizeram barricadas com pneus na altura do número 4.000. Os dois sentidos da via foram bloqueados. 

Depois de 40 minutos bloqueando a avenida, os manifestantes encerraram o ato e começaram a voltar à ocupação Chico Mendes por volta das 19h40. "Demos nosso recado, a imprensa cobriu e o governo ficou sabendo. Se não tivermos uma resposta da Prefeitura, essa semana vai ter mais luta", disse uma das líderes do MTST Natália Szermeta. Os bombeiros chegaram  para apagar as chamas, mas nenhum policial apareceu para conter o ato.

De acordo com o MTST, cerca de 800 pessoas participaram da manifestação. Muitos dos integrantes da ocupação Chico Mendes que protestaram estavam com roupas vermelhas e bochechas pintadas da mesma cor. A Prefeitura informou que a área reivindicada é municipal, mas, até as 18h30, a Secretaria de Habitação de São Paulo não havia confirmado o pedido de reintegração de posse. 


"Nós não queremos violência, só fechar a rua e mostrar que seguimos firmes na luta por moradia. Faço parte da ocupação Chico Mendes porque moro de aluguel e todo meu salário de diarista vai para pagar moradia. Sou sozinha com dois filhos para criar", disse durante o protesto Maria Alves de Lima, de 50 anos, que mora hoje na zona sul.

Natália Szermeta disse que um oficial de justiça informou nesta segunda-feira sobre a reintegração e deu prazo de cinco dias para desocupação. A Prefeitura afirma que já conversou com líderes do movimento e alertou que a área é de risco para as famílias, indicando que se inscrevam em programas habitacionais.

Antes de começar a caminhada, Natália informou que o ato desta terça-feira era para deixar um recado para o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. "Vamos ver se ele vai ter coragem de despejar o povo que não tem moradia às vésperas das eleições. Vamos ver se o governo conseguirá manter o despejo", disse.  

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