MTST promete 'chacoalhar' SP com nova onda de protestos

Sem-teto querem usar os próximos 15 dias, prazo determinado pela Justiça para deixar área no Morumbi, para fazer 'tremer' a cidade

Luiz Fernando Toledo e Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

17 Julho 2014 | 20h59

Atualizado às 21h26

SÃO PAULO - Após a Polícia Militar e a Justiça firmarem acordo com o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) para prorrogar por mais 15 dias o cumprimento da liminar de despejo de um terreno invadido no Morumbi, na zona sul, os líderes prometeram “chacoalhar” São Paulo na próxima semana. Chamada de Portal do Povo e de propriedade da construtora Even, a área abriga 4 mil famílias.

“Não vamos ficar de braços cruzados. A gente vai mostrar que não está de brincadeira, que a gente cansou. Vamos botar a cidade de São Paulo para chacoalhar, para tremer”, disse uma das coordenadora do MTST, Natália Szermeta, em assembleia na ocupação na noite desta quinta-feira, 17. “Vamos juntar todo mundo do MTST, ir para a rua e exigir o que é nosso.” A militante ainda ameaçou a Even: “Eles não terão sossego. Vamos mapear e ocupar todos os seus terrenos”.

A construtora e o movimento não chegaram a nenhum acordo na terça-feira, quando se reuniram. Segundo Natália, a Even se recusou a negociar a destinação do terreno para moradia popular. A Even disse em nota que a propriedade é privada e que "demandas de moradia devem ser encaminhadas ao poder público".

 

O prazo estendido de 15 dias para reintegração de posse foi confirmado pelo subcomandante do 23.º Batalhão de Polícia Militar, major Marcelo Franciscon. Ele afirmou que a Even quis manter o despejo, mas a Justiça decidiu aumentar o prazo “em razão do agravamento” da situação.

Segundo a assessoria de imprensa da corporação, o acordo foi costurado pelo major Ezequiel Morato, do 16.º BPM, junto ao Foro Regional do Butantã. A intenção é que os manifestantes “possam sair do terreno sem a necessidade do aparato policial”. A assessoria de imprensa da Even informou que a construtora foi surpreendida com a prorrogação do prazo de despejo. 

Após a negociação, integrantes do MTST que acampavam na frente da Even, na Marginal do Pinheiros, zona oeste, deixaram a área. Eles fizeram uma assembleia no local e fecharam a pista local da Marginal do Pinheiros, no sentido Rodovia Castelo Branco. A interdição começou por volta de 12h30 e durou cerca de uma hora. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou 500 metros de congestionamento da Ponte Eusébio Matoso até a Avenida Morumbi.

Segundo Natália, o movimento apresentou à Prefeitura cinco opções de terrenos na região do Morumbi que estariam abandonados - dois deles são municipais. A ideia é levar as famílias do Portal do Povo para uma das áreas. A Prefeitura, segundo a líder, não deu uma resposta.

Acampamento. Pelo menos 150 militantes do MTST passaram a noite na área externa da Even. Parte dos militantes deixou a área na madrugada para ir trabalhar. Sem acesso ao prédio, os sem-teto reclamaram do frio, mas permaneceram na área. “Todo ser humano tem direitos iguais. Só vou sair quando tiver mais oportunidade e não tenha mais família nos córregos da cidade”, disse a vendedora ambulante Nátali Ferreira dos Santos, de 24 anos. Ela, que vive há um mês no Portal do Povo, acampou com o marido. “Tem café da manhã, almoço, café da tarde e jantar”, disse.

Veja como foi a ocupação na sede da Even:

 

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