MTST pede à Justiça suspensão de reintegração de terreno em Itaquera

Cerca de 2,5 mil famílias montaram a ocupação Copa do Povo na zona leste; juiz autorizou remoção com ajuda da polícia, caso saída não seja voluntária

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

08 Maio 2014 | 18h34

SÃO PAULO - O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) pediu à Justiça nesta quinta-feira, 8, a suspensão da reintegração de posse do terreno em Itaquera, na zona leste, onde está a ocupação Copa do Povo. O MTST também solicitou que haja uma rodada de negociação com a Prefeitura, governo do Estado, Ministério Público e Câmara Municipal.

A defesa do MTST, que reúne desde sábado em Itaquera cerca de 2,5 mil famílias, alega que o imóvel, situado próximo à Arena Corinthians, está desocupado há mais de 20 anos. Para eles, a remoção com auxílio da PM "acarretaria drásticas e irreparáveis consequências à comunidade, tendo em conta a iminência de conflitos violentos com as forças policiais".

O MTST fez referência ao caso Pinheirinho, reintegração de posse ocorrida em 2011, em São José dos Campos, interior de São Paulo, que acabou em violência. "A utilização da força policial neste momento de grande efervescência social no País poderá acarretar danos irreparáveis às famílias que coabitam o local", argumenta o movimento. Os advogados sustentam que a Prefeitura e Câmara estão em avançada negociação com o movimento, o que poderá dar uma solução pacífica ao conflito.

O pedido foi dirigido diretamente ao juiz Celso Maziteli Neto, que, na quarta-feira, 7, deu 48 horas para os sem-teto saírem voluntariamente da ocupação. Ele poderá rever a decisão ou suspendê-la para uma audiência entre as partes. A Polícia Militar já está autorizada a fazer a reintegração forçada caso a decisão antecipada (liminar) não seja atendida espontaneamente.

O terreno particular de 155 mil metros quadrados que desencadeou a disputa fica a cerca de 4 km do estádio que receberá a abertura do Mundial. As famílias que estão no local recebem, em média, R$ 300 mensais do bolsa-aluguel da Prefeitura. Na segunda-feira, 5, a dona do terreno, controlada pela Viver S.A, pediu a remoção dos sem-teto.

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