MTST ocupa mais um terreno em São Paulo

Área fica ao lado do cemitério Gethsemani, na zona oeste da capital; movimento diz que 900 pessoas estão no terreno desde as 22h30 desta sexta-feira

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

06 Setembro 2014 | 00h19

Atualizado às 19h25

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) ocuparam na noite desta sexta-feira, 5, mais um terreno na cidade de São Paulo. Aos gritos de "MTST, a luta é para valer", cerca de 900 pessoas, segundo o MTST, ingressaram em um terreno de 30 mil metros quadrados ao lado do Cemitério Gethsemani, na zona oeste da capital, por volta das 22h30 horas. O movimento transmitiu ao vivo, pela internet, o momento da ocupação.

De acordo com texto divulgado na página do MTST no Facebook, o terreno está em uma Zona Especial de Interesse Social (Zeis) que teria sido "apropriado indevidamente por um empreendimento privado na construção de um condomínio de alto padrão". Como Zeis, o local teria de ser destinado pela administração municipal à construção de moradias populares. Ainda segundo o grupo, a área estava abandonada e, ultimamente, sendo "assediada" pelo setor imobiliário.

A Prefeitura de São Paulo confirmou que a área é municipal e que, a partir do novo Plano Diretor, foi definida como Zeis 5. "Reiteramos que as ocupações prejudicam a política habitacional em curso que prevê a entrega de 55 mil novas moradias até 2016 para combater um déficit habitacional de 230 mil moradias e não geram prioridade para o atendimento habitacional", afirmou a administração em nota.

Sábado vermelho. Na exibição do vídeo ao vivo, dois integrantes do movimento se revezaram para narrar a ocupação. Eles mostraram algumas pessoas pegando pedaços de paus e lonas e começando a construir barracas. "Vamos enfeitar o bairro Jardim Colombo com muita lona preta e uma bandeira vermelha. O sábado vai amanhecer mais uma vez vermelho", disse um deles.

Em um momento do vídeo, é possível ouvir o barulho do que parecem ser tiros. Quem filma comenta que os tiros vêm de uma guarita de segurança de um prédio vizinho ao terreno.

O narrador ainda explicou que a maioria das pessoas que ocuparam o local mora em Paraisópolis e na Vila Sônia, nos arredores do terreno, e não tem mais condições de bancar o valor dos aluguéis.

O coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, participou da ocupação e informou no vídeo que as pessoas começaram a chegar ao local em quatro ônibus e a pé por volta das 21 horas. A Polícia Militar recebeu um chamado pelo 190 e enviou uma viatura ao local para averiguação. Policiais conversaram com líderes do MTST e Boulos disse que o objetivo é permanecer no local até que haja uma decisão judicial.

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