MTST faz onda de invasão em colégios

O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto invadiu, entre a noite de anteontem e ontem, sete escolas na Grande São Paulo, em protesto contra a reestruturação escolar promovida pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB). Com isso, subiu para 16 o número de unidades ocupadas tanto por estudantes quanto por integrantes do MTST. A onda se intensificou após o Ministério Público Estadual e a Defensoria Pública reverteram a sentença que determinava a remoção de alunos de duas escolas da capital.

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2015 | 02h00

Na escola Fernão Dias Paes, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, ontem foi dia de comemoração. Os cerca de cem policiais que cercavam a unidade desde terça-feira deixaram a escola, após essa sentença judicial favorável aos estudantes.

"O governo errou ao nos tratar como criminosos e nos deixar cercados por policiais. Essa atitude enfureceu ainda mais a comunidade escolar e fortaleceu o movimento de ocupação", disse o aluno Gabriel Suzarte, de 17 anos, que está no 3.º ano do ensino médio.

Ontem, os próprios alunos passaram a controlar o fluxo na escola. Eles anotavam o nome das pessoas que passavam pelo portão, mas só deixavam que os estudantes entrassem no prédio. "Estamos conscientizando todo mundo para que não haja depredação ou sujeira. O objetivo é barrar a reorganização e mostrar nossa união", afirmou Othília Balades, de 18 anos.

'Dia E'. A Secretaria Estadual de Educação (SEE) havia programado para ontem a realização do "Dia E" em todas as escolas da rede para explicar aos pais, alunos e funcionários a reorganização escolar. Há cerca de 15 dias, o governo divulgou a lista das 93 escolas que serão fechadas e das 754 unidades que terão ao menos um dos ciclos (anos iniciais do ensino fundamental, anos finais e ensino médio) fechados em 2016.

No entanto, com as ocupações e manifestações, em muitas delas a reunião não foi realizada. Foi o que aconteceu na Escola Estadual Antonio Manuel de Lima, na zona sul da capital. A unidade foi ocupada na noite de sexta-feira e a conversa com os pais será reagendada, segundo informações da secretaria.

Em outras escolas, como na Silvio Xavier Antunes, a ocupação aconteceu logo após a reunião. Os pais e alunos são contrários ao fechamento da unidade. A SEE informou que no final da tarde de ontem a escola já havia sido desocupada.

Confusão. Na escola José Lins do Rego, na zona sul da capital, após a ocupação por parte de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e estudantes, houve confusão com a Polícia Militar. Dois professores da unidade foram agredidos por policiais com cassetetes, socos e chutes, e um deles foi detido.

Maurício Vasques, advogado do professor Edvan Costa, disse que a direção da escola pediu aos policiais que vetassem a entrada de novos manifestantes. "Eles contrariaram a decisão judicial que impediu a polícia de fazer reintegração de posse nas escolas", argumentou Vasques. Os docentes teriam sido agredidos após forçarem a entrada.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o grupo teria feito um acordo com a PM e saído da escola. Os manifestantes teriam tentado retornar à unidade e a polícia os conteve. Ainda segundo a SSP, o professor detido teria agredido um policial. Vasques nega."Nós apoiamos e

fizemos as ocupações em escolas porque são os pais

e filhos de ocupações

do MSTS que vão ser prejudicados com a reorganização. Mais escolas devem ser ocupadas."

Guilherme Boulos

COORDENADOR DO MTST

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