MTST e Prefeitura discutirão limpeza da Ocupação Copa do Povo

Partes divergem sobre responsabilidade de limpeza de terreno; encontro foi marcado para esta quarta após protesto dos moradores

Marco Antonio de Carvalho, Especial para O Estado

30 Setembro 2014 | 19h57

SÃO PAULO - Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) fazem um protesto no início da noite desta terça-feira, 30, no Morumbi, contra a reintegração de posse do terreno ao lado do cemitério Gethsemani, na zona oeste de São Paulo. Os manifestantes da Ocupação Chico Mendes se reuniram em frente ao cemitério e, por volta das 19 horas, chegaram à Avenida Francisco Morato, onde fazem barricadas com pneus na altura do número 4.000. Os dois sentidos da via foram bloqueados.

De acordo com o MTST, cerca de 800 pessoas participam do ato. Muitos dos integrantes da ocupação Chico Mendes que protestam estão com roupas vermelhas e bochechas pintadas da mesma cor. Nenhum policial militar acompanha a manifestação. A Prefeitura informou que a área é municipal, mas, até as 18h30, a Secretaria de Habitação de São Paulo não havia confirmado o pedido de reintegração de posse.

Uma das líderes do MTST, Natália Szermeta disse que um oficial de justiça informou nesta segunda-feira sobre a reintegração e deu prazo de cinco dias para desocupação. A prefeitura diz que já conversou com líderes do movimento e alertou que a área é de risco para as famílias, indicando que se inscrevam em programas habitacionais.

"Nós não queremos violência, só fechar a rua e mostrar que seguimos firmes na luta por moradia. Faço parte da ocupação Chico Mendes porque moro de aluguel e todo meu salário de diarista vai para pagar moradia. Sou sozinha com dois filhos para criar", diz Maria Alves de Lima, de 50 anos, que mora hoje na zona sul.

Antes de começar caminhada, Natália disse que o ato desta terça-feira era para deixar um recado para o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. "Vamos ver se ele vai ter coragem de despejar o povo que não tem moradia às vésperas das eleições. Vamos ver se o governo conseguirá manter o despejo", disse.

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