Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

MTST consegue mais 15 dias no Portal do Povo e deixa construtora

PM e Justiça ampliaram prazo para não usar força na remoção de 4 mil famílias que invadiram terreno da Even

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

17 Julho 2014 | 13h23

Atualizado às 20h23

SÃO PAULO - O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) deixou na tarde desta quinta-feira, 17, a área externa da construtora Even, na Marginal do Pinheiros, zona oeste de São Paulo, após firmar acordo com a Justiça e a Polícia Militar para prorrogar por 15 dias o cumprimento da liminar de despejo de um terreno no Morumbi, zona sul. A área da empresa foi invadida por 4 mil famílias e é chamada de Portal do Povo.
O MTST prometeu “ocupar todos os terrenos da construtora” como resposta por ter sido ignorado nas negociações e disse que marcaria “uma grande manifestação” para esta sexta-feira, 18. O movimento apresentou à Prefeitura cinco opções de terrenos na região do Morumbi que estariam abandonados - dois deles são municipais. A ideia é levar as famílias do Portal do Povo para uma das áreas. A Prefeitura, segundo a coordenadora do MTST Natália Szermeta, não deu uma resposta ao pedido.
O prazo estendido foi confirmado pelo subcomandante do 23.º Batalhão de Polícia Militar, major Marcelo Franciscon. Segundo ele, a Even quis manter o despejo, mas a Justiça decidiu aumentar o prazo “em razão do agravamento” da situação.

Segundo a assessoria de imprensa da corporação, o acordo foi costurado pelo major Ezequiel Morato, do 16.º BPM, junto ao Foro Regional do Butantã. A intenção é que os manifestantes “possam sair do terreno sem a necessidade do aparato policial”.
Após a negociação, os sem-teto fecharam a pista local da Marginal do Pinheiros, no sentido Rodovia Castelo Branco. A interdição começou por volta de 12h30 e durou cerca de uma hora. Natália organizou uma assembleia. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou 500 metros de lentidão da Ponte Eusébio Matoso até a Avenida Morumbi.
Natália prometeu novos atos durante o prazo e disse que o movimento buscará soluções junto ao poder público para inviabilizar o despejo, além de apresentar a proposta de ocupação de novas áreas. Para ela, o resultado do protesto de dois dias foi positivo para “passar segurança às famílias” que estão na invasão. A militante ainda julgou como “truculenta e insensível” a postura da construtora.
A assessoria de imprensa da Even informou que a empresa foi surpreendida com a prorrogação do prazo de despejo.
Acampamento. Pelo menos 150 militantes do MTST passaram a noite na área externa da Even. Parte dos militantes deixou a área na madrugada para ir trabalhar.
Sem acesso ao prédio, os sem-teto reclamaram do frio, mas permaneceram na área. “Todo ser humano tem direitos iguais. Só vou sair quando tiver mais oportunidade e não tenha mais família nos córregos da cidade”, disse a vendedora ambulante Nátali Ferreira dos Santos, de 24 anos. Ela acampou com o marido. “Tem café da manhã, almoço, café da tarde e jantar”, contou. Ela está vivendo há um mês no Portal do Povo.

Confira como foi a ocupação da entrada da Even, nesta quarta-feira, 16:
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