Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

MSTS é o maior opositor à administração Haddad

Grupo estaria cobrando aluguel de moradores nas invasões; MTST diz que os líderes rivais são oportunistas disfarçados

Juliana Diógenes e Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

06 Agosto 2016 | 03h00

Entre os movimentos de moradia, o MSTS é quem faz a maior oposição à administração Fernando Haddad (PT). Desde quando foi fundado, em 2013, o grupo travou diversos embates com a Prefeitura. No protesto mais recente, os sem-teto passaram cerca de três meses, de abril a junho, acampados com 200 barracas na frente da Prefeitura, no Viaduto do Chá.

Outra disputa envolve o Cine Marrocos, na Rua Conselheiro Crispiniano, prédio ocupado em outubro de 2013 – 20 dias depois da criação do MSTS. A sede do movimento ficava do outro lado da rua, mas foi alvo de uma reintegração de posse no fim de 2014. Na ocasião, houve confronto com a polícia e os sem-teto incendiaram alguns apartamentos. A Prefeitura obteve a reintegração de posse do Marrocos em junho, mas a ação está suspensa pela Justiça.

Próximo do Cine Marrocos, também na região central, o mesmo movimento ocupou um prédio na Rua 7 de abril. A invasão mais recente do MSTS aconteceu no dia 31, em um prédio da Prefeitura, na Rua Asdrúbal do Nascimento, na Bela Vista.

O grupo estaria prestando serviços específicos – um deles era a cobrança de “aluguel” nas ocupações. No Cine Marrocos, eram cobrados R$ 400 dos moradores, segundo famílias.

Durante o período eleitoral em 2014, o MSTS apoiou o então candidato a deputado federal Miguel Haddad (PSDB), que foi eleito. Faixas do político ficaram expostas nos dois prédios da Conselheiro Crispiniano. O deputado, porém, disse que não conhece o movimento nem as lideranças, e nunca esteve nas ocupações. Segundo ele, a propaganda foi feita por “simpatizantes”. 

Guilherme Boulos, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), rival do MSTS, disse desconhecer qualquer vinculação do movimento com partidos políticos. Para Boulos, o grupo nem poderia ser considerado movimento social, pois seria formado por “oportunistas disfarçados”. “Trata-se de pessoas usando movimento social de fachada para obter ganho próprio de forma oportunista.”

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