MPT indica falta de escoramento em escavação em Viracopos

Trabalhador foi morto em soterramento em canteiro de obras de ampliação do aeroporto

Sarah Brito, Especial para o Estado,

22 Março 2013 | 16h55

CAMPINAS - A falta de escoramento em uma escavação foi a causa da morte do operário soterrado hoje pela manhã nas obras de ampliação do Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). Isso foi o constatado pelo MPT (Ministério Público do Trabalho), que confirmou o risco na obra e a irregularidade no início da tarde.

Cleiton Nascimento Santos, 25, morreu após dar entrada no Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, socorrido pelos Bombeiros hoje por volta das 10h. De acordo com informações da unidade médica, o trabalhador teve quatro paradas cardiorrespiratórias, chegou a ser reanimado no hospital, mas não resistiu. Um outro operário, o carpinteiro Weliton Santos Reis, também foi soterrado, mas teve escoriações leves na mão e foi atendido no ambulatório do aeroporto.

Segundo o procurador Alex Garbellini houve falta de proteção coletiva na área do acidente e mais de 10 metros de terra de cima do talude - maior do que o permitido - caíram em cima dos operários, que estavam no fundo retirando manualmente o restante de solo, úmido por conta das chuvas dos últimos dias. Garbelini descartou a possibilidade de haver mais operários soterrados no local.

Todas as obras de ampliação do aeroporto foram paralisadas hoje e os trabalhadores dispensados. Amanhã, as obras devem ser retomadas e o ponto do acidente só será liberado quando o escoramento for feito. "É uma operação arriscada. Pelas normas de segurança, deveria ter sido feito um estudo mais adequado nesse ponto e o escoramento era obrigatório. A rampa do talude, aparentemente, também era muito inclinada", disse.

Ainda segundo o procurador, houve há dois dias uma fiscalização do MPT no canteiro de obras do aeroporto, que detectou irregularidades no "Pier C", um dos setores da construção. Entre elas, o risco de trabalho em altura, como falta de proteção coletiva, falta de rodapé nos andaimes e falta de manutenção na área. Na ocasião, não havia nenhuma obra de escavação no aeroporto de Viracopos pois chovia.

"Até então, era um trabalho de superfície. O relatório já havia sido feito e seria enviado hoje à concessionária para as adequações", disse Garbellini. Segundo o MPT, a empresa contratada pela concessionária Aeroportos Brasil Viracopos - responsável pelo aeroporto - para realizar a obra, o Consórcio Construtor de Viracopos, será passível de multa pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), que ainda apura o acidente.

Em nota oficial divulgada no início da tarde, a concessionária informou que prestou imediato atendimento aos dois operários e que se solidarizam com os familiares, a quem prestarão a assistência necessária. Ela também afirma que deu início ao processo de apuração dos fatores e das causas do acidente, que serão divulgadas assim que concluídas e reitera que as obras de construção do novo terminal de Viracopos seguem as normas e padrões de segurança.

Desde o início, as obras de ampliação foram alvo de fiscalização do Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MPE). Em setembro do ano passado, uma caixa d'água e a infraestrutura elétrica foram interditadas no local das obras após fiscalização do MPT. As obras de ampliação começaram em 31 de agosto. A iniciativa privada será responsável pela administração de Viracopos por 30 anos, depois de um leilão de concessão.

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