GABRIELA BILO / ESTADAO
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Protesto contra tarifa em SP tem 14 detidos e fotógrafo ferido

Manifestação foi marcada por tensão e tentativa da Polícia Militar de conter a passeata

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

16 Janeiro 2019 | 18h29
Atualizado 17 Janeiro 2019 | 00h52

SÃO PAULO - Um fotojornalista ficou ferido e 14 pessoas foram detidas em um protesto contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo nesta quarta-feira, 16. Organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL), o ato foi marcado por tensão e tentativa da Polícia Militar de conter a passeata. Sob chuva e com tumultos, o protesto reuniu menos pessoas do que o anterior.

Enquanto o protesto da semana passada mobilizou cerca de 2 mil pessoas, segundo os organizadores, participantes estimaram entre 800 e 1 mil pessoas neste ato. A concentração estava marcada para as 17 horas na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, centro da capital, mas na primeira hora havia mais PMs do que manifestantes no local. Os policiais abordaram ao menos seis manifestantes e os conduziram para revista. Todos foram liberados.

Houve três momentos de tensão durante a concentração. O maior aconteceu por volta das 18 horas, quando os participantes do ato estavam sentados na Paulista, no sentido da Rua da Consolação, realizando o jogral - atividade que marca o início da passeata. Nessa hora, um grupo de PMs investiu contra os manifestantes. Houve correria. Os policiais usaram balas de borracha, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. 

O fotojornalista do site Ponte Daniel Arroyo, de 39 anos, foi atingido no joelho por uma bala de borracha. Segundo testemunha, ele tentava fotografar a detenção de um jovem durante o jogral, quando a PM disparou duas vezes – um tiro o acertou. Ele foi atendido no Hospital São Camilo, no Ipiranga, onde a equipe médica constatou não ter havido fratura. Arroyo passa bem.

Antes, a polícia já havia entrado na área dos manifestantes duas vezes. Em cada uma delas, imobilizaram uma pessoa e conduziram para averiguação. Na segunda, usaram uma bomba de efeito moral. Segundo o major Marcelo, o procedimento era para verificar se os manifestantes estavam com objetos perigosos, como faca, estilete ou coquetel molotov. "Não houve reunião prévia. Nós estamos retendo o grupo para que as lideranças informem o trajeto e a gente possa informar aos órgãos de trânsito", disse.

Após o tumulto, parte dos manifestantes foi embora. Para Gabriela Dantas, porta-voz do MPL, seria uma tentativa de esvaziar o ato. "Eles atacaram pessoas que estavam reunidas", disse. "Isso só mostra que o grupo de mediadores é algo midiático."

Cerca de 15 minutos depois da confusão maior, o ato saiu pela Consolação em direção à Praça Roosevelt. Manifestantes levavam cartazes de "R$ 4,30 não" e cantavam palavras de ordem contra a PM e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Bastante presentes em atos anteriores, os black blocs estavam em número pequeno - apenas três pessoas mantinham o rosto coberto durante o ato. Também havia integrantes do PSOL, PCB e do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) na passeata. Por volta das 19h30, na Praça Roosevelt, líderes do MPL anunciaram o próximo protesto para terça-feira, 22, na Praça da Sé, também no centro.

Um grupo de cerca de 50 estudantes, no entanto, se negou a se dispersar. Eles sentaram na Consolação e depois fizeram um cordão. Cerca de 40 minutos depois, deixaram o local após mediação da PM. Na saída, já após o fim do ato, o grupo desceu pela Rua Amaral Gurgel e atirou lixo contra os carros.

Catorze pessoas foram detidas na região central. Os detidos foram levados ao 2.º DP (Bom Retiro) e ao 78.º DP (Jardins). Procurada pelo Estado, a PM informou que parte dos detidos levava objetos como bombas caseiras, garrafas de vidro e coquetéis molotov. Sobre o disparo que acertou o fotógrafo, a PM disse que  não foi direcionado a ele e que todas as abordagens seguiram protocolo internacional para controle de multidões. Já o MPL disse que a PM usou de “violência desnecessária e desmedida”. 

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