Gilberto Amendola
Gilberto Amendola

MPL faz ato contra aumento da tarifa no centro de São Paulo

Protesto é o primeiro após decreto de assinado pelo governador João Doria (PSDB) proibindo o uso de máscaras em manifestações

Gilberto Amendola, O Estado de S. Paulo

22 de janeiro de 2019 | 17h58
Atualizado 23 de janeiro de 2019 | 15h08

O Movimento Passe Livre (MPL) fez nesta terça-feira, 22, a primeira manifestação em São Paulo depois do decreto assinado pelo governador João Doria (PSDB) que proibiu o uso de máscaras ou de qualquer outra forma de cobrir o rosto. Pelo menos uma pessoa foi detida. O protesto, contra o aumento da tarifa do transporte público, teve início na Praça da Sé, no centro da capital. 

Os manifestantes começaram a marchar por volta das 18h30, quando deixaram a Praça da Sé. A polícia estimava a participação de cerca de 500 pessoas. O ato subiu a Avenida Brigadeiro Luís Antônio com críticas às gestões João Doria e Bruno Covas, ambos do PSDB. Alguns comerciantes baixaram suas portas, por precaução. 

Na esquina da Brigadeiro Luís Antônio com a Rua Treze de Maio, na Bela Vista, membros do MPL queimaram uma catraca como forma de protestar contra o aumento da tarifa. Foi um ato simbólico - as chamas duraram menos de dois minutos e não houve confronto. Ali, a polícia identificou alguns mascarados e pediu para que os próprios organizadores do protesto solicitassem a retirada das máscaras.

Por volta das 19h30, os manifestantes chegaram à Avenida Paulista e, em um jogral, definiram a data do próximo protesto: 30 de janeiro, uma quarta-feira. Parte dos manifestantes, porém, continuou a caminhada em direção ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) acompanhados por agentes da Cia. de Ações Especiais (Caep), que tinham o rosto coberto até a altura dos olhos. Em seguida, os manifestantes desceram pela Rua Augusta. A manifestação se dispersou em pequenos grupos.

Um desses grupos acessou a Rua da Consolação e, segundo a polícia, houve um princípio de tumulto, com lixeiras reviradas. Pelo menos uma bomba de gás lacrimogêneo foi lançada para dispersar os manifestantes. Outros seguiram para a Praça da República, também no centro, onde, de acordo com os policiais, atiraram objetos como garrafas contra os agentes. Na República, também houve lançamento de bomba de gás. 

Pelo menos uma jovem foi detida na entrada do Metrô República na noite desta terça-feira . Segundo policiais, ela estaria “agitando” o grupo contra a força policial. A delegacia para onde a manifestante teria sido levada não foi informada pela PM.  

Máscaras

Durante a concentração do ato, na Praça da Sé, mediadores da Polícia Militar comunicaram aos coordenadores do MPL que, de acordo com o decreto assinado no último sábado, não seria permitido o uso de máscaras ou qualquer outra cobertura no rosto. Os coordenadores do MPL consideraram o decreto “inconstitucional" e uma forma de "proibir qualquer manifestação de rua”. O MPL disse que não reprimiria manifestantes que cobrissem o rosto. 

Ainda na concentração, os policias recolheram ao menos uma máscara de gás que estava com um manifestante. A máscara foi retida em uma das bases policiais e poderá ser retirada nesta quarta-feira, de acordo com a PM. Sobre máscaras usadas pelos repórteres para acompanhar o protesto, a polícia informou que seriam detidos apenas os mascarados que participassem da manifestação. Os repórteres identificados poderiam, portanto, usá-las.  

 

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