GABRIELA BILO/ESTADAO
GABRIELA BILO/ESTADAO

PM impede MPL de chegar à casa de Doria; ato termina em depredação

Grupo queria entregar a prefeito 'prêmio de inovação na forma de aumentar a tarifa'; no fim do ato, agências bancárias foram depredadas

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

12 Janeiro 2017 | 18h50
Atualizado 12 Janeiro 2017 | 21h51

SÃO PAULO - No primeiro protesto de rua da gestão João Doria (PSDB), manifestantes foram impedidos de entrar no bairro onde mora o prefeito, na noite desta quinta-feira, 12. O ato do Movimento Passe Livre (MPL) saiu da Avenida Paulista e tinha como destino a Rua Itália, no Jardim Europa, onde Doria reside, mas a Polícia Militar, com o reforço da Tropa de Choque, fez um bloqueio a quatro quarteirões da casa de Doria. Na dispersão do ato, pelo menos quatro agências bancárias e algumas lojas foram depredadas por black blocs. Quatro pessoas foram detidas por dano ao patrimônio. 

Cerca de mil manifestantes do MPL participaram do protesto, que teve início por volta das 17 horas na Praça do Ciclista. O grupo seguiu pela Avenida Rebouças e chegou a fechar a Paulista no sentido Consolação. Às 19h45, os manifestantes já interditavam as duas pistas da Rebouças e da Henrique Schaumann. A PM não estimou o número de manifestantes. 

"Entra ano e sai ano e o poder público segue beneficiando os empresários do cartel do sistema de transportes e prejudicando a população. O aumento na integração e as tarifas de transferência dos terminais penalizaram os mais pobres. Cobram de quem menos pode pagar", gritaram os manifestantes em jogral.

Segundo eles, Alckmin e Doria agora ameaçam aumentar a tarifa unitária "de forma covarde". "O prefeito é mentiroso. Prometeu não aumentar a tarifa, mas não cumpriu. Não vamos aceitar nenhum aumento".

Durante o trajeto, o youtuber Arthur Moledo Do Val, criador do canal "Mamãe, falei", foi agredido pelos manifestantes após provocá-los. Ele levava um pão com mortadela e fazia filmagens do ato. Arthur se abrigou ao lado de viaturas da PM. "Se não fosse a PM eu estaria morto". 

A Polícia Militar, que acompanhou o protesto, bloqueou a Praça Nossa Senhora do Brasil, a quatro quarteirões de onde mora o prefeito João Doria, impedindo o acesso dos manifestantes. "Estamos aqui perto da casa do prefeito patrão para entregar o prêmio catraca na categoria aumento inovador", disseram os manifestantes em jogral. "Não adianta falar que não aumentou porque aumento na integração é aumento sim".

Segundo o tenente coronel Francisco Cangerana, comandante da operação, o bloqueio foi feito "por questão de segurança". Cangerana negou que tivesse recebido pedido de Doria ou de Alckmin para bloquear o bairro.

Os manifestantes pretendiam entregar ao prefeito o que chamaram de "prêmio de inovação na forma de aumentar a tarifa" - em referência ao congelamento da tarifa base e aumento no preço da integração -, mas acabaram entregando o "troféu", em formato de catraca, ao tenente coronel Francisco Cangerana.

O ato se encerrou oficialmente às 20h30, mas, na dispersão, black blocs depredaram quatro agências bancárias na Rua Augusta, algumas lojas e destruíram latas de lixo. Segundo pessoas que passavam pelo local, foram usados pedras e coquetel molotov. O Teatro Procópio Ferreira fechou as portas por alguns minutos.

Por volta das 21 horas, policiais militares circulavam em motos e viaturas atrás dos manifestantes responsáveis pelas depredações na região da Bela Vista. Um helicóptero da PM também ajudava nas buscas. Quatro manifestantes, segundo a Polícia Militar, foram detidos por dano ao patrimônio e encaminhados ao 78ºDP (Jardins). 

Um novo protesto contra o aumento das tarifas foi marcado para a próxima quinta-feira, 19. 

Tarifas. Uma decisão da Justiça de São Paulo nesta semana suspendeu o reajuste das tarifas de metrô, trem e da integração com os ônibus da capital. A restrição vale também para todas as linhas de ônibus intermunicipais do Estado, administradas pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), que transporta cerca de 1,8 milhão de passageiros por dia.

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