Em manual, MPL ensina a travar vias de SP

Passe Livre adota nova estratégia e estimula que manifestantes 'se espalhem' por diversas partes de São Paulo para 'provocar efeitos tão interessantes quanto os de um ato com mil'

Juliana Diógenes e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2016 | 14h59

A quatro horas do 3º ato do Movimento Passe Livre (MPL) em São Paulo contra o aumento da tarifa, militantes do grupo publicaram nas redes sociais um manual com sete passos para travar as vias da cidade. Os travamentos, segundo o manual, são bloqueios com 50 pessoas em partes diferentes da cidade para "provocar efeitos tão interessantes quanto os de um ato com mil". O Passe Livre estimula que grupos se reúnam nos seus bairros e perto de casa.

A estratégia do MPL é que os travamentos ocorram simultaneamente aos dois atos que vão ocorrer nesta quinta-feira, às 17h, no Teatro Municipal e Largo da Batata. "Para aumentar as chances de vitória contra o aumento chegou a hora de começar a travar terminais de ônibus, grandes avenidas e ruas no entorno dos atos para garantir que a cidade pare até que a tarifa baixe".

O reajuste da tarifa, de R$ 3,50 para R$ 3,80, foi anunciado pelo prefeito Fernando Haddad (PT) e pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e passou a valer no último sábado, 9. Na manhã desta quinta-feira, o MPL não compareceu a uma reunião convocada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo para tentar mediar os conflitos ocorridos nos dois primeiros atos entre manifestantes e Polícia Militar. 

O Manual orienta que o travamento pode ser feito em sete passos. Primeiro, o MPL pede que chamem amigos, grupos políticos e pessoas da manifestação para organizar. "Troque contato e whatsapp para facilitar a comunicação e o reagrupamento". 

O segundo passo é pensar, em grupo, lugares estratégicos para travar "durante, depois e em outros dias além do ato". "Se durante a manifestação não conseguir realizar isso, faça ao final dela e se espalhe pela cidade. Se der certo, mesmo que o protesto seja reprimido, garantiremos que o ato continue em outros cantos da cidade, dando muito mais força pra luta".

Em terceiro lugar, diz o Manual, os grupos devem organizar ações pela manhã e dialogar com a população para aderir ao travamento. "Não podemos fazer essa ação isolada. "Temos que convencer os trabalhadores", pede o MPL.

O quarto passo é fotografar, filmar e divulgar a ação. O quinto é colocado em prática pela primeira vez nesta quinta-feira, quando ocorre um pré-ato na Praça da Sé, organizado por um grupo de coletivos, duas horas antes do ato do MPL: "Em dia de ato, marque uma concentração antes do protesto em local diferente, ao reunir seu grupo, vá em marcha travando as ruas até o local do grande ato. Dessa maneira, o ato já começa antes e com mais força". 

Nos dois últimos passos, o Passe Livre pede que os manifestantes incentivem outras pessoas a fazerem o mesmo e diz: R$3,80 nem tenta".

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