MPF investiga sabotagem e atentados

Líderes grevistas podem pegar até 30 anos de prisão por violação da segurança nacional; procurador-geral ainda apura ação de político

FELIPE RECONDO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2012 | 03h03

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, vai investigar o possível envolvimento de parlamentares na greve de policiais militares deflagrada há dez dias na Bahia, que se estendeu para o Rio. O Ministério Público Federal (MPF) ainda vai investigar a prática de crimes federais pelos grevistas - que juntos somam até 30 anos de detenção.

Na Bahia, a Procuradoria da República apresentou uma notícia-crime para investigar o movimento grevista. Os grampos, divulgados na quarta-feira pelo Jornal Nacional, da TV Globo, mostram articulações entre os líderes da greve na Bahia, Marco Prisco, e no Rio, o cabo do Corpo de Bombeiros Benevenuto Daciolo (veja ao lado).

De acordo com o MPF, os suspeitos podem ter cometido crimes previstos na Lei de Segurança Nacional. "Integrantes do movimento grevista atentaram contra a sociedade e a democracia, uma vez que a sede estadual do Poder Legislativo foi ocupada e os Poderes Judiciário estadual e federal foram impedidos de funcionar", afirmou o procurador da República André Batista.

Na lista de crimes estariam sabotagem contra instalações militares, meios e vias de transporte (pena de 3 a 10 anos), tentativa de impedir o livre exercício do Poder Legislativo ao ocuparem a Assembleia Legislativa (2 a 6 anos), exercer o controle de aeronave, embarcação ou veículo de transporte coletivo com emprego de violência ou grave ameaça à tripulação (2 a 10 anos) e incitar à prática de qualquer dos crimes previstos na Lei de Segurança Nacional (1 a 4 anos).

Já Gurgel pediu oficialmente ao governador baiano, Jaques Wagner, a remessa das gravações de conversas telefônicas interceptadas com autorização judicial entre policiais militares em greve. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), as conversas fazem referência a condutas praticadas por pessoas com foro privilegiado, como deputados federais. A possível participação dessas pessoas na greve será investigada.

PEC 300. Gravações mostram, por exemplo, o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) conversando com um dos líderes do movimento na Bahia. Ele é o presidente da comissão que analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 300, que cria um piso nacional para policiais militares e bombeiros. Outro que admitiu ter conversado por telefone com o cabo Daciollo foi o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ).

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