MPF apura aplicação de recursos do câmpus

Entrevista com Christina Andrews, professora da Unifesp em Guarulhos

Entrevista com

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2013 | 02h03

Desde dezembro de 2012, a novela sobre os problemas de instalação da Unifesp em Guarulhos é tema de inquérito do Ministério Público Federal. A denúncia foi levada à procuradoria pela professora Christina Windsor Andrews, do curso de Ciência Política da unidade. Segundo a procuradoria, o inquérito ainda está em fase inicial.

Por que levar a situação da escola ao MPF?

Na época, era evidente que os canais de negociação com a antiga gestão da Unifesp haviam se esgotado. Vale lembrar que o MPF tem a atribuição não só de apurar possíveis casos de desvio de verbas - o que não se aplica à situação em Guarulhos -, mas também de zelar pela boa aplicação dos recursos públicos.

Qual a melhor saída em relação à instalação da unidade no bairro dos Pimentas?

Existem alternativas para a construção da estrutura definitiva, até mesmo no centro de Guarulhos. No entorno do câmpus existem apenas dois terrenos disponíveis para a expansão da escola; um deles - e que está sendo cogitado para desapropriação - é limítrofe a um esgoto a céu aberto. Cabe mencionar ainda que a Unifesp tem um terreno de 200 mil m² em Osasco e planeja instalar novo câmpus em um terreno de 173 mil m² na zona leste da capital paulista. Ambos têm melhores condições de acesso do que a atual localização em Guarulhos.

A comunidade acadêmica e alunos têm sido ouvidos nas decisões sobre o câmpus?

A congregação da escola aprovou no ano passado uma consulta à comunidade acadêmica sobre a localização do campus. Infelizmente, a consulta não se concretizou. Cabe lembrar, porém, que muitos alunos já "falaram com seus pés", abandonando os cursos. Eles também deveriam ser ouvidos.

Como a nova gestão da reitoria tem encarado a situação?

A providência imediata da nova gestão foi alugar um prédio provisório para abrigar as atividades, acatando pedido feito pela congregação. Mas há ainda questões técnicas que precisam ser encaminhadas. É preciso realizar um estudo de mobilidade urbana antes de se realizarem os investimentos definitivos. Também é necessário avaliar se a criação do câmpus na zona leste de São Paulo teria um impacto em Guarulhos. Boa parte de nossos alunos mora nessa região.

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