MPE vai investigar eventos religiosos

Liberação de festas com alta concentração de fiéis em vias de SP entra na mira da Promotoria por gerar impacto negativo no trânsito

ADRIANA FERRAZ , ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2012 | 03h01

Depois de mover ação civil contra a Prefeitura de São Paulo pela liberação do Estádio do Pacaembu durante a comemoração, no ano passado, dos cem anos da Assembleia de Deus, o Ministério Público Estadual abriu investigação para apurar a realização de eventos religiosos em vias públicas. O foco é limitar grandes encontros, que causam congestionamento e excesso de ruído.

Amanhã, a partir das 10h, a Igreja Mundial do Poder de Deus faz o Dia do Grande Desafio na Praça Campo de Bagatelle, na zona norte. A organização espera até 1 milhão de pessoas. A Avenida Santos Dumont será interditada hoje às 22h para montagem do palco. Até a Ciclofaixa de Lazer da zona norte será parcialmente fechada.

Para o promotor de Justiça Mauricio Antonio Ribeiro Lopes, eventos como o de amanhã não podem ser regra. "Vamos ceder espaço público todos os dias para uma determinada religião? Neste fim de semana, por exemplo, já teremos a Virada Cultural. É muita coisa." Em janeiro, na inauguração de um templo em Guarulhos, centenas de ônibus provocaram congestionamento de 8 km na Via Dutra e prejudicaram quem ia para o Aeroporto de Cumbica.

A liberação de espaços municipais para a realização de festas religiosas entrou na mira do Ministério Público em agosto do ano passado, quando o prefeito Gilberto Kassab (PSD) autorizou a Igreja Universal a usar o Pacaembu. Em novembro, foi a vez de a Assembleia de Deus reunir mais de 30 mil pessoas no estádio. Ambas as denominações evangélicas, assim como a Mundial, são aliadas da Prefeitura.

Kassab diz que não houve irregularidades durante o centenário da Assembleia de Deus no estádio. "A legislação permite a utilização do Pacaembu para eventos. O importante é que as regras sejam respeitadas. E foram", afirmou. Segundo Kassab, a Prefeitura apresentará à Justiça "suas razões" para ter liberado a festa.

Já o Ministério Público afirma que houve excesso de ruído, comprovado em quatro laudos. Ontem, o prefeito voltou a defender a realização de encontros não esportivos no Pacaembu. "Só falta alguém achar que o Pacaembu não pode ter eventos."

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