Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

MPE quer que polícia reabra investigação do caso Isabella

Funcionária de penitenciária disse à Promotoria que avô de menina orientou pai e madrasta a simular morte de menina; testemunha teria ouvido afirmação de Anna Carolina Jatobá dentro da prisão

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

15 Dezembro 2014 | 12h01

Atualizada às 20h42

SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual (MPE) quer que o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil reabra o inquérito policial que investigou a morte de Isabella Nardoni, de 6 anos, em 2008, por suspeita de participação do avô paterno da criança, Antônio Nardoni, no crime. 

De acordo com o órgão, o depoimento de uma testemunha que trabalha no Presídio de Tremembé, onde Anna Carolina Jatobá, madrasta da vítima, cumpre pena de 26 anos e oito meses, motivou o pedido que deve ser feito ao longo desta semana. A acusação contra Nardoni foi revelada pelo Fantástico.

A funcionária do sistema penitenciário disse ao MPE de Taubaté, no interior de São Paulo, que o avô de Isabella orientou Alexandre Nardoni, pai da menina, condenado a 31 anos pelo assassinato da filha, e a madrasta a atirar a criança pela janela do prédio onde o casal morava, simulando a morte da menina. 

A testemunha afirmou ter dado o depoimento por “peso na consciência”. Ela disse que teria ouvido Anna Carolina dizer no presídio que, após o casal seguir a orientação do sogro e jogar a criança do 6.º andar do prédio, na zona norte de São Paulo, o pai da menina percebeu que filha ainda estava viva mesmo após a queda. 

Até o final da tarde desta segunda-feira, segundo o Ministério Público, o pedido de reabertura do caso ainda não havia sido feito à Polícia Civil. Os documentos com o depoimento da testemunha chegaram às mãos da promotora Katia Peixoto Villani Pinheiro Rodrigues, do 2.º Tribunal do Júri de Santana, na última quinta-feira.

‘Fofoca’. Segundo o advogado da família Nardoni, Roberto Podval, caso o DHPP reabra o caso para apurar se houve a participação do avô da menina, a investigação vai ser arquivada.

“Estão transformando uma fofoca em caso de polícia. É obvio que a Promotoria não pode ficar sem fazer nada depois do que essa funcionária disse, mas eu não vejo futuro para a investigação”, afirmou. 

De acordo com ele, Anna Carolina Jatobá negou que tenha feito as afirmações sobre o sogro à funcionária da penitenciária. O advogado também disse que é a “versão da testemunha contra a versão de Anna Carolina”.

Podval afirmou ainda que a funcionária do presídio não tem nenhuma prova contra a madrasta de Isabella. 


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