Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

MPE pede internação dos 3 suspeitos de estuprar estudante

Órgão ouviu suspeito de ter participado de ataque em escola estadual; em conversa, vítima disse que se sentia ‘um lixo’

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

21 Maio 2015 | 19h15

SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual (MPE) pediu à Justiça, nesta quinta-feira, 21, a internação provisória em uma unidade da Fundação Casa dos três adolescentes que a polícia diz serem suspeitos de estuprar uma estudante, no último dia 12, dentro do banheiro masculino da Escola Estadual Leonor Quadros, no Jardim Miriam, zona sul de São Paulo. 

Um dos acusados foi ouvido nesta quinta pelo promotor da Vara da Infância e da Juventude. Os outros dois suspeitos não foram localizados. 

Por isso, o órgão também pediu ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) uma ordem de busca e apreensão dos outros dois adolescentes. Um deles conseguiu fugir com a família do bairro onde moravam, no último fim de semana. Até as 19h30 desta quinta, o TJ não havia confirmado se a Justiça aceitou os dois pedidos feitos pela Promotoria.


A advogada da estudante, Yasmin Vasques Chehade, comemorou a ação do MPE, mas criticou a demora para o caso ser solucionado. “Se a escola tivesse tomado as medidas cabíveis no momento do crime, esses jovens já estariam internados em flagrante”, afirmou. 

O processo foi entregue na Vara da Infância e da Juventude na manhã de quarta-feira. Um dia depois, o promotor assumiu o caso e requisitou a internação dos três adolescentes. 

Depoimento. No processo, além do depoimento de um jovem que confessou ter participado do estupro, também consta uma conversa, via rede social, entre um dos três adolescentes e a vítima, dias depois do ataque. O rapaz também foi ouvido pela Polícia Civil, mas negou participação no crime. 

A polícia precisou cruzar os depoimentos da vítima e do rapaz que confessou a participação no estupro para confirmar a suspeita. “O depoimento do jovem que disse que participou segue a mesma linha do que a menina falou”, afirmou um dos investigadores do caso. 

Apesar de o laudo feito pelo Hospital Pérola Byington, especializado em violência sexual contra mulheres, ter sido inconclusivo, ele atesta que a jovem teve ferimentos compatíveis com “tentativa de conjunção carnal”. Mas, no entendimento da Polícia Civil, a estudante de 12 anos foi estuprada. 

Conversa. O Estado teve acesso a uma troca de mensagens entre o adolescente que negou o crime e a vítima. “Oi, eu sou o moleque que você está acusando. Gostaria de saber só a verdade, porque estou muito triste que você está me acusando. Você tem certeza de que fui eu?”, pergunta. 

A menina responde que sim, pede para o jovem não falar mais com ela e diz como está se sentindo. “Por que você fez isso? Não sabe o lixo que estou me sentindo. Vocês acabaram comigo. Infelizmente, eu nunca mais vou esquecer isso”, respondeu a estudante. 


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