MPE mantém promotor acusado de assassinato no cargo

Com a decisão, Thales Ferri Schoedl deverá ser julgado por assassinato em foro privilegiado

Camilla Rigi, do Estadão,

29 de agosto de 2007 | 17h25

O Órgão Especial do Colégio de Procuradores do Ministério Público de São Paulo decidiu nesta quarta-feira, 29, manter no cargo de promotor  Thales Ferri Schoedl, acusado de ter assassinado o jovem Diego Mendes Modanez e ferido Felipe Siqueira Cunha Souza na Riviera de São Lourenço, litoral do Estado, após uma briga na saída de uma festa em 2004. Por 16 votos a 15, o Órgão Especial permitiu que Schoedl reassuma suas funções como promotor e, mais do que isso, responda pelo crime em foro privilegiado - o Órgão Especial do Tribunal de Justiça - e não em júri popular. As informações são do Ministério Público.    Opine: promotores acusados de assassinato deveriam ter foro privilegiado? Thales Schoedl é acusado de ter cometido o crime enquanto ainda estava no estágio probatório, período de dois anos a que todo promotor deve se submeter após passar em concurso público para assumir o cargo. Com a decisão de hoje, ele conseguiu sua efetivação como promotor, conhecida como vitaliciamento, mesmo sem ter cumprido esses dois anos, explica a assessoria de imprensa do Ministério Público.Schoedl poderá reassumir suas funções assim que a decisão for publicada no Diário Oficial do Estado, o que deve ocorrer nos próximos dias. O caso cria uma situação insólita, em que um promotor acusado de homicídio poderá trabalhar na acusação de outras pessoas pelo mesmo crime. Ele havia sido exonerado do cargo em outubro de 2005, mas recorreu e conseguiu reverter a decisão no Tribunal de Justiça. Mesmo afastado do cargo, ainda recebia o salário, de R$ 10,5 mil, de promotor.CrimeO crime ocorreu em 30 de dezembro de 2004. Schoedl disse que os dois jovens e mais dois amigos haviam assediado sua namorada, Mariana Ozores Bartoletti, enquanto os dois saíam de um luau. O promotor discutiu com os rapazes e atirou contra os dois. Ele foi preso em flagrante, mas alegou legítima defesa.   Na época, o promotor foi denunciado por homicídio duplo qualificado (um consumado) pelo procurador-geral de Justiça, Rodrigo César Rebello Pinho. Ele passou dois meses preso, até fevereiro de 2005. Não cabe mais recurso à decisão. Em depoimento, ele declarou que voltava para casa com a namorada Mariana Uzores Batoleti, então com 19 anos, quando um grupo de mais de dez rapazes passou a olhar para a moça. Schoedl afirmou ainda que agiu em legítima defesa.   O assassinato aconteceu em 30 de dezembro de 2004, após um desentendimento. Thales teria disparado 13 tiros na direção do grupo, quando teria atingido Modanez. Ele também é acusado de ter atirado contra Felipe Siqueira Cunha de Souza, de 21 anos.   (Colaborou Mário Sérgio, da Agência Estado)

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