MPE entra com nova ação para prender investigados

Promotores propuseram mandado de segurança para que processo não seja prejudicado. Governo espera decreto de prisões

Carla Araújo, Luciano Bottini Filho e Marcelo Godoy,

14 de outubro de 2013 | 22h43

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) entrou na sexta-feira com um mandado de segurança no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para garantir que todos os envolvidos nas escutas telefônicas do Primeiro Comando da Capital (PCC) respondam à ação criminal presos e não prejudiquem o processo.

A denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) foi rejeitada para 14 dos 175 acusados. O juiz da Vara Criminal de Presidente Venceslau, no interior do Estado, considerou que as gravações não eram indícios suficientes para manter os suspeitos presos preventivamente - alguns deles não cumpriam pena.

O MPE entrou com um recurso na própria vara do interior, mas, ao mesmo tempo, já acionou o TJ-SP para que as prisões sejam decretadas. Caso o tribunal não autorize as prisões e os mandados de busca e apreensão previstos na denúncia com rapidez, uma eventual desarticulação do PCC poderá ser comprometida, uma vez que a perspectiva é que o mérito do recurso contra a decisão de primeira instância demore mais de 1 ano.

O mandado de segurança está agora nas mãos do desembargador Ivan Marques, da 2.ª Câmara de Direito Criminal. Ele poderá conceder uma liminar.

Outra medida para assegurar a condenação dos membros do PCC foi solicitada pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) para pôr líderes da facção no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse nesta segunda-feira, 14, que sua administração apoia o isolamento. "O governo tanto apoia que o pedido foi feito pela SAP", afirmou. A representação do governo foi negada e está em fase de recurso.

"Nutrimos a esperança de que o tribunal possa rever e decretar as preventivas e o RDD", disse Fernando Grella Vieira, secretário da Segurança Pública.

A decisão de negar os pedidos de prisão e de internação dos acusados no RDD provocou uma crise entre integrantes do Judiciário e do Executivo paulista. Na manhã desta segunda-feira, o presidente do Tribunal de Justiça, Ivan Sartori, divulgou nota negando atritos dele com o Executivo. "O relacionamento com o governo e mesmo com a Secretaria da Justiça sempre foi dos melhores", diz a nota.

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