MPE denuncia delegado acusado de atirar em morador de rua em SP

Da varanda de sua casa, José Júlio Figueiredo Liza teria tentado matar Celso Barbosa Pereira após este cantar embriagado

Fábio Rossini e Marcelo Godoy, O Estado de S. Paulo

15 Agosto 2014 | 11h50

Atualizada às 17h23

SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual (MPE) denunciou criminalmente o delegado José Júlio Figueiredo Liza sob a acusação de ele ter tentado matar o morador de rua Celso Barbosa Pereira. Pereira estaria embriagado e cantava em frente da casa do policial. Irritado com a cantoria, Liza saiu seminu na varanda de seu sobrado e disparou cinco vezes em direção da vítima. Acabou preso em flagrante.

A denúncia é assinada pelo promotor Rodrigo Merli Antunes. De acordo com ele, o delegado começou o crime por motivo fútil e não deu chance defesa para a vítima. "O denunciado agiu assim apenas pelo fato de o ofendido estar dançando e cantando em frente de sua residência, causando assim um pequeno barulho que lhe incomodou", afirmou o promotor em sua denúncia.

O Estado não conseguiu localizar o advogado do delegado. O crime aconteceu no dia 31 de julho de 2014, na Rua Maria Primo de Jesus, na Vila Galvão, em Guarulhos, na Grande São Paulo.

De acordo com a denúncia do MPE, o morador de rua havia "ingerido um pouco de bebida alcoólica". Ele dançava e cantava na rua em companhia de sua mulher, Márcia Silvério. A arma usada pelo acusado para efetuar os disparos foi um revólver de propriedade da Polícia Civil.

Após verificar ter acertado o alvo, o delegado, segundo a denúncia, voltou para dentro de sua casa "e nada fez para socorrer a vítima". A casa do delegado fica perto de uma base da Polícia Militar. Após ouvir os disparos, os policiais foram verificar o que estava acontecendo e encontraram a vítima baleada.

Foram eles que levaram o morador de rua para um hospital - uma das balas havia atingido o rosto da vítima. A bala atravessou a cabeça de Pereira, saindo na região da nunca. A mulher do morador de rua apontou aos policiais de onde haviam partido os disparos. Os PMs foram até a casa do delegado e acabaram dando voz de prisão em flagrante ao policial civil.

"O delito contra a vida aqui mencionado somente não se consumou por circunstâncias alheias à vontade do agente, eis que apesar de praticamente ter descarregado o revólver que portava, não logrou êxito em acertar a vítima por inúmeras vezes (erro de pontaria), tendo ela ainda sido socorrida por terceiros", escreveu o promotor. Ele pediu à Vara do Júri de Guarulhos que a prisão do delegado fosse mantida durante o processo a fim de garantir a ordem pública e a instrução penal.

Procurada, a Corregedoria da Polícia Civil informou que o delegado foi preso em flagrante por tentativa de homicídio e desde então está detido no Presídio Especial da Polícia Civil. A corregedoria instaurou inquérito policial e processo administrativo, que pode resultar na demissão do delegado. 

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